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MÁRCIO FERNANDES | ESTADÃO CONTEÚDO

Banco Original, do grupo J&F, chega ao varejo com operação 100% digital

Grupo aplicou R$ 600 milhões durante três anos para chegar à plataforma digital lançada ontem; projeto foi criado pelo ex-presidente do BC, Henrique Meirelles, e tem como meta alcançar 100 mil clientes no primeiro ano e 2 milhões em uma década

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Josette Goulart,
O Estado de S.Paulo

29 Março 2016 | 05h00

O multicampeão olímpico Usain Bolt apareceu no domingo durante o intervalo do Fantástico, na Rede Globo, dizendo que, enquanto todos diziam que aerodinamicamente era impossível ele ser o corredor mais rápido do mundo, ele pegou o que lhe ensinaram e reinventou a forma de correr. Fez do seu jeito, como diz o slogan que agora acompanha o Banco Original que pertence ao grupo J&F, mesmo dono da Friboi. E o jeito encontrado pelo banco foi investir R$ 600 milhões ao longo dos últimos três anos em uma plataforma totalmente digital para chegar ao varejo.

Abrir conta, tomar crédito, fazer transferências, toda sorte de serviços financeiros serão oferecidos digitalmente para os clientes que chegarem ao banco. Tudo, menos os saques, claro, mas que poderão ser feitos em qualquer caixa eletrônico da rede 24 horas. Com isso, o banco digital, idealizado pelo ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, se lança no concorrido mercado bancário de varejo. A meta é alcançar 100 mil clientes no primeiro ano e dois milhões em dez anos.

Plataforma. Foram três anos de desenvolvimento até o banco finalmente ser lançado. Meirelles, que é presidente do conselho consultivo da J&F, diz que era possível ter lançado a plataforma antes, mas ela não abrigaria a possibilidade de o cliente fazer tudo pelo celular, até mesmo a abertura de conta, sem necessitar que um gerente tivesse de colher a assinatura do cliente, por exemplo. “Procuramos em todo o mundo modelos que pudessem servir como base, mas, para atender à legislação brasileira, tivemos de desenvolver a nossa própria plataforma.”

Por questões de segurança, para evitar crimes financeiros e de lavagem de dinheiro, o Banco Central faz uma série de exigências aos bancos quando cadastram seus clientes. Para tornar o processo digital condizente com essas normas, o Original exige que, ao fazer o cadastro, o cliente envie diversas fotos para reconhecimento, além da documentação e de uma assinatura que pode ser feita digitalmente. “Vamos usar até as mídias sociais para fazer o reconhecimento”, diz Meirelles.

O executivo foi o responsável por montar toda a equipe do banco e já tinha no banco digital um projeto pessoal.

Para o especialista, Antonio Bernardo, presidente da consultoria Roland Berger no Brasil, esse prazo de três anos entre o anúncio do banco e o seu lançamento, no entanto, pode ser um desafio a mais. “Hoje, não é mais uma grande vantagem competitiva ser o primeiro (banco digital), porque existem 400 empresas tecnológicas desenvolvendo produtos financeiros”, diz Bernardo. “Qualquer dessas empresas pode ser absorvida por um grande banco, que terá a seu favor a grande base de clientes que já possui, enquanto o Original começa do zero.”

Demora. O banco do grupo J&F surgiu primeiro como banco JBS, em 2008. Três anos depois, o grupo adquiriu o banco Matone, que estava em dificuldades, e, para isso, tomou emprestado mais de R$ 1 bilhão do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Mas até hoje, segundo fontes próximas ao fundo, o banco não conseguiu ter o tamanho que planejava quando fez a aquisição do Matone e se tornou o Banco Original.

Uma das ideias originalmente pensadas era comprar ou promover fusão com bancos de médio porte, mas nenhum negócio foi efetivamente fechado. Segundo Meirelles, esta não é ainda uma possibilidade descartada. “Mas não temos grande interesse em aquisições”, diz.

De acordo com fontes do mercado ouvidas pela reportagem, o próprio Meirelles estaria interessado, na verdade, em ter o controle do banco. Questionado, ele disse que “no momento não (há negociações nesse sentido). O que não significa que não posso tomar qualquer decisão (de aquisição) no futuro”.

Depois de patinar por alguns anos, em 2015 o banco deu um salto de 68% no tamanho de sua carteira de crédito, saindo de R$ 2,7 bilhões e chegando a R$ 4,56 bilhões. Cerca de R$ 1 bilhão, entretanto, foi resultado de compra de recebíveis que eram detidos por empresas do grupo J&F. O lucro da instituição foi de R$ 110 milhões no ano passado.

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