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Banco suíço afirma que quer comprar BSI do BTG Pactual

Na quarta-feira, a imprensa alemã apontou que o J.Safra Sarasin havia fechado o negócio, mas banco desmentiu a informação

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Jamil Chade, correspondente,
O Estado de S.Paulo

14 Janeiro 2016 | 11h36

GENEBRA  - O Banco do Estado do Cantonal do Ticino (BancaStato) declarou que fez uma proposta para comprar as ações do BSI, adquirido pelo grupo brasileiro BTG Pactual. Segundo a instituição financeira, uma carta foi enviada no final de dezembro de 2015 fazendo a proposta, ao lado de dois outros "importantes parceiros". Os nomes das demais empresas não foram reveladas. 

Para a BancaStato, criado em 1915, o valor pago por cada ação seria "razoável". Mas os valores também não foram indicados. 

Na quarta-feira, a imprensa alemã apontou que o banco suíço-brasileiro J.Safra Sarasin havia fechado um negócio para comprar o BSI. Mas, horas depois, o Grupo Safra desmentiu a informação em um comunicado oficial. Bancos como o Julius Baer e o Credit Suisse também estariam na corrida, mas teriam desistido.

Para o banco cantonal, porém, a compra do BSI é "uma excelente oportunidade de investimento, tanto no plano financeiro como na sinergia". A instituição também alerta que é "do interesse de toda a praça financeira do Ticino e do cantão evitar um desmembramento do BSI".

Segundo o banco, o governo da região do Ticino já foi informado do interesse e das negociações e, agora, "aguarda para ver a evolução da situação". O cantão suíço é o único acionista do BancaStato.

Em setembro de 2015, André Esteves finalizou a compra do BSI pelo BTG. Mas sua prisão e suspeitas de envolvimento no caso da Petrobrás levou a compra a ser repensada. 

No mês passado, o Estado revelou que a agência reguladora dos bancos na Suíça (conhecida por sua sigla FINMA) resistiu à proposta de André Esteves de adquirir o BSI. O negócio apenas foi concluído quando uma série de condições legais envolvendo o banqueiro foram esclarecidas e, acima de tudo, quando uma "intervenção oficial" de Brasília ocorreu. O temor dos reguladores do mercado financeiro suíço era de que, ao permitir a entrada de Esteves em sua praça financeira, estariam abrindo as portas para negócios envolvendo a Petrobrás. 

Em meados de 2014, o BTG Pactual anunciou a compra do BSI. Mas o aval da Finma - a Autoridade Federal de Vigilância do Mercado Financeiro - levaria mais de um ano para ser dado, um prazo fora do processo normal de aprovação de compras de bancos. Um dos critérios avaliados era o das garantias de uma "atitude irrepreensível" da parte dos dirigentes do banco brasileiro. 

O negócio também só foi possível depois que o BSI pagou US$ 211 milhões à Justiça americana para encerrar um caso de evasão fiscal.

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