Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Economia & Negócios

Economia » Batalha de 5 dígitos desencadeia guerra de US$ 100 milhões

Negócios

AFP

Economia

Mídia

Batalha de 5 dígitos desencadeia guerra de US$ 100 milhões

A falta de pagamento de US$ 46 mil levou a família Forbes e o grupo asiático que comprou a revista em 2014 para a Justiça

0

Robert Frank,
THE NEW YORK TIMES

25 Janeiro 2016 | 10h07

Pouco depois de a família Forbes vender o controle de sua revista e de sua empresa de publicações em 2014, Tim Forbes participou de uma reunião em Hong Kong com um dos novos proprietários da companhia. Tim Forbes, irmão mais novo de Steve Forbes, vinha tentando, havia semanas, receber um pagamento de juros dos compradores. Mas na reunião de outubro, Forbes disse que sua família havia esperado o suficiente pelo pagamento de US$ 46 mil. A recusa em realizar o pagamento, disse ele, era “um desrespeito à família e a mim, pessoalmente”.

A briga por meros cinco dígitos virou, desde então, uma vigorosa guerra em torno da Forbes Media e das reputações tanto da família Forbes quanto dos magnatas asiáticos que compraram a companhia por US$ 415 milhões. Numa estranha reviravolta, o comprador e o vendedor da revista Forbes, famosa por listar as pessoas mais ricas do mundo, acusam-se mutuamente de estarem sem dinheiro.

A família Forbes diz que, por causa da falta do pagamento de juros, o empréstimo de US$ 65 milhões que fez aos compradores está agora inadimplente. Eles querem o valor total do empréstimo, assim como US$ 35 milhões reservados para o caso de violação no contrato de compra, o que eleva o valor cobrado para US$ 100 milhões.

A família afirma que se não receber o pagamento vai liquidar a nova matriz da Forbes Media, o que pode levar a uma nova venda da companhia. Os dois lados dizem que a disputa não afetou as operações diárias da Forbes Media, que apresentou um aumento de 15% nas receitas no ano passado, em comparação com o período anterior. Mas alguns funcionários dizem que se trata de um novo transtorno em potencial, que acontece menos de dois anos após a venda da empresa.

Os novos proprietários da Forbes, que operam sob a companhia chamada Integrated Whale Media Investments, dizem que a ação judicial não tem mérito e que a família Forbes violou o contrato de compra ao não revelar a existência de ações legais dispendiosas contra a empresa.

A Integrated Whale diz em documentos judiciais que abrandou os termos da compra da empresa para “acomodar as questões financeiras pessoais da família Forbes”. Em comunicado, a família disse que “tem dinheiro em abundância e nenhuma dívida, ao contrário da Integrated Whale, que passou a ter dívidas inadimplentes com a família apenas algumas semanas após o fechamento do acordo” de compra.

A família Forbes vendeu muitos de seus símbolos de status, dentre eles sua coleção de ovos Fabergé; o prédio da sede da empresa em Nova York; uma ilha em Fiji, seu iate de 151 pés, chamado Highlander (juntamente com o helicóptero que acompanha a embarcação, onde está escrito o lema The Capitalist Tool, ou “A Ferramenta Capitalista”); uma coleção de obras de arte; e uma casa do século 17 localizada em Londres. A joia da coroa dos Forbes, a Forbes Media, que inclui a revista Forbes, o site e outras propriedades, foi fatiada em 2006. A Elevation Partners, empresa de private equity, comprou 45% da empresa por US$ 230 milhões. Em 2014, a Elevation e a família Forbes começaram a tentar vender toda a companhia.

Os novos donos. A Integrated Whale fez a oferta vencedora. Pouco se sabe a respeito da empresa, a não ser os nomes de três de seus diretores: Yam Tak Cheung, conhecido como TC Yam; Wong Siu Wa, conhecido como Sammy Wong, e Wayne Hsieh.

Yam é um empresário de Hong Kong que investe em empresas públicas e privadas. Wong costuma ser intermediário dos negócios de Yam. Hsieh, cofundador da Asustek Computer, fabricante de hardware sediada em Cingapura, não está diretamente envolvido na Forbes Media.

Pelos termos do acordo, a Integrated Whale comprou 95% da empresa e a família Forbes continuou com 5% e assentos no conselho de administração. Dos US$ 415,6 milhões do valor de compra, US$ 350 milhões foram em dinheiro e US$ 65,6 milhões foram estruturados como um empréstimo, com o objetivo de conceder benefícios fiscais à família Forbes.

O primeiro pagamento de juros, de US$ 46.459 deveria ter sido feito em 1º de outubro de 2014. A Integrated Whale disse que perdeu o prazo em razão de “erros de logística internos”, segundo documentos judiciais. No dia 10 de outubro, Tim Forbes enviou um e-mail a Wong relembrando a ele que o pagamento estava atrasado havia dez dias. “Sei que todos nós concordamos a respeito da importância de termos um início harmonioso de nosso relacionamento”, escreveu. “Por favor, me informe quando podemos esperar o pagamento do que nos é devido.”

A Integrated Whale pagou os juros em 18 de novembro, mas a família Forbes afirma que o atraso provocou a inadimplência do empréstimo e que a Integrated Whales deve a eles todo o valor de US$ 65 milhões.

O processo foi aberto primeiramente num tribunal das Ilhas Virgens Britânicas, onde a Integrated Whale é registrada. Em outubro de 2015, a família Forbes, por meio de sua empresa de investimentos, Highland Management L.L.C., abriu um processo num tribunal de Chancery, Delaware.

Troca de ofensas. A contestação da dívida logo tornou-se ofensiva. A Integrated Whale deu início a uma “campanha de opressão retaliatória com várias frentes” contra a família, segundo documentos judiciais apresentados pela família Forbes. Nos documentos apresentados ao Judiciário pela Integrated Whale, a companhia quer o cumprimento do contrato.

Quando o acordo foi anunciado, a família Forbes elogiou os novos compradores como um “grupo investidor de perspectivas” que respeita “nossa marca e nossos valores”. Agora, a opinião é diferente. Em comunicado, a família diz que as ações da Integrated Whale “apenas confirmaram e aprofundaram graves dúvidas quanto às suas intenções e sua capacidade de cumprir suas obrigações contratuais”. / TRADUÇÃO DE PRISCILA ARONE

Mais conteúdo sobre:

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.