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Bicicletas elétricas ganham espaço nos países europeus de cultura ciclista

Danny Hakim - The New York Times

20 Agosto 2014 | 11h 09

As e-bikes usam motores elétricos para facilitar as pedaladas e têm se tornado cada vez mais populares

NYT
Bicicleta elétrica do correio alemão

BERLIM - Com um leve ruído elétrico, Iris Marossek pedala sua bicicleta entre os blocos residenciais de concreto no coração da antiga Berlim Oriental, entregando o correio para 1.500 pessoas todos os dias.

Pintada de amarelo e preto como uma abelha, a bicicleta dela aponta ao mesmo tempo para o passado e para o futuro. É decorada com a imagem de uma corneta preta e curva, evocando séculos anteriores quando os carteiros alemães anunciavam sua chegada com ela. Mas o conjunto de baterias duplas sob o assento também revela que esta é mais do que uma bicicleta comum.

Hélvio Romero/Estadão
Venda de bicicletas elétricas está agora aumentando na Europa

Iris pilota uma das 6.200 bicicletas elétricas a serviço do Deutsche Post, o correio alemão. As e-bikes usam motores elétricos para facilitar as pedaladas e têm se tornado mais populares em países amantes do ciclismo, como a Alemanha, atraindo ciclistas mais velhos, serviços de entregas e trabalhadores que não querem chegar suados no emprego.

"São ótimas alternativas, e só melhoram com o tempo", disse Iris. "O cansaço é muito menor do que numa bicicleta normal." Com dezenas de milhões de e-bikes já percorrendo as ruas da China, a venda de bicicletas elétricas está agora aumentando na Europa, especialmente nos países do norte de longa tradição no ciclismo. Para alguns mercados, o setor das bicicletas elétricas foi o único que apresentou crescimento.

Há 250 mil bicicletas do tipo na Suíça, de acordo com a Federação Europeia dos Ciclistas. Na Alemanha, as vendas de bicicletas apresentaram queda de 5,5% no ano passado, mas as vendas das e-bikes, mais caras, tiveram alta de quase 8%, respondendo atualmente por 11% do mercado. Na Holanda, que apresenta o maior uso de bicicletas por habitante de toda a Europa, o mercado geral de bicicletas teve leve queda no ano passado, mas as vendas de e-bikes tiveram alta superior a 9%.

Até o momento, o interesse parece limitado principalmente aos países de forte cultura ciclista. Na China, os consumidores muitas vezes usam bicicletas eletrônicas baratas com ácido e chumbo, o pesadelo dos ambientalistas, em vez de andar de lambreta, e a novidade levou a um aumento nos acidentes num país conhecido pelas estradas perigosas. Na Europa, as e-bikes são mais caras e evoluíram a partir do mercado tradicional de bicicletas.

Em outras regiões, as bicicletas elétricas ainda são um nicho. Os Estados Unidos ainda não adoraram as e-bikes de maneira significativa e, no estado de Nova York, essas ainda são tratadas pela lei como motocicletas, o que traz desafios para a adoção em massa.

Com a rápida evolução desse mercado, um grande número de fabricantes - empresas tão diferentes quanto o Accell Group, da Europa, exportadoras chinesas e até gigantes do ramo dos automóveis - estão concorrendo entre si. Na Grã-Bretanha, a marca Smart, da Daimler, está oferecendo financiamento sem juros na compra de sua e-bike de US$ 3.000, enquanto a BMW lançou sua própria bicicleta elétrica por cerca de US$ 3.600 este ano.

A margem de lucro mais alta salvou muitas lojas de bicicletas nos anos mais recentes. Na Europa, um modelo típico de e-bike é vendido por cerca de US$ 2.700, de acordo com os varejistas. O preço médio de uma bicicleta, que aumentou por causa das novas versões motorizadas, é de aproximadamente US$ 1.300, de acordo com a federação.

"É uma tendência que explodiu nos seis ou sete anos mais recentes", disse Lars van der Wansem, diretor de produtos da revista Bike Europe, acrescentando que "Holanda, Dinamarca e norte da Alemanha estão na vanguarda" do crescimento das e-bikes.

Na Alemanha, onde as bicicletas elétricas ganharam bastante popularidade, os correios tendem a usá-las nas rotas mais longas ou íngremes. Além disso, elas diminuem o fardo para uma força de trabalho de idade cada vez mais avançada.

"Percebemos que nossos funcionários não estavam ficando mais jovens, e pensamos numa maneira de aliviar o desgaste para eles", disse Frank Kolaczinsky, chefe de Iris.

"Eles também suavam bastante", disse Iris, rindo ao lado de sua bicicleta perto de uma clínica de saúde que fica em sua rota.

Hotéis chiques como Hotel New York, em Roterdã, alugam pequenas frotas de e-bikes. Na Au Guidon Vert, pequena loja de bicicletas no bairro de Etterbeek, Bruxelas, o proprietário, Nicolas De Keghel, disse que 1 em cada 4 bicicletas vendidas atualmente é elétrica, respondendo por metade da renda dele.

Um modelo de bicicleta elétrica fabricado pela marca alemã Vela de Ville, era oferecido nessa loja por €2.150, ou cerca de US$ 2.900, sendo que um modelo normal da mesma marca era vendido por aproximadamente US$ 940. Um motor circular fabricado pela Bosch, gigante das autopeças, ficava acomodado entre os pedais da bicicleta elétrica.

Para os compradores que usam a bicicleta como meio de transporte para o trabalho, o suor (ou ausência dele) parece ser um fator importante.

Noel Regan, um dos fregueses de De Keghel, comprou uma e-bike Velo de Ville há cerca de um ano. Regan, 35 anos, é irlandês e trabalha para uma associação da indústria energética em Bruxelas.

"Tenho uma bicicleta comum", disse Regan, que pagou cerca de US$ 4.000 por sua e-bike. "Mas queria algo que me levasse ao trabalho sem me deixar suado e com calor ao chegar." A bicicleta precisa de uma hora para recarregar, e ele consegue cerca de quatro viagens por carga.

Tradução de Augusto Calil