Andy Wong/AP
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Bolsa vai da euforia à cautela e fecha pregão em estabilidade

Durante a sessão, o Ibovespa chegou à marca histórica dos 78.024 pontos, mas perdeu fôlego após a cúpula do PSDB decidir destituir o governista Bonifácio de Andrada da CCJ da Câmara; para o mercado, movimento indica um abalo na governabilidade do presidente

Paula Dias, O Estado de S.Paulo

05 Outubro 2017 | 18h04

A Bolsa brasileira foi da euforia à cautela nesta quinta-feira, 5, o que trouxe volatilidade ao Índice Bovespa. Depois de ter subido até 1,87%, alcançado a marca histórica dos 78.024 pontos, o índice perdeu fôlego gradativamente ao longo da tarde e fechou com ganho bem mais modesto, de 0,03%, aos 76.617,52 pontos. Se, pela manhã, o mercado mostrou entusiasmo com sinais de evolução da economia, à tarde prevaleceram preocupações com a governabilidade do presidente Michel Temer.

O principal assunto da tarde foi a decisão da cúpula do PSDB de destituir o deputado Bonifácio de Andrada (MG) da vaga de suplente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. A manobra busca desvencilhar o partido do relatório de Andrada, parlamentar da ala governista do partido que detém a relatoria da denúncia. A principal leitura do mercado é que a ala oposicionista do PSDB está ganhando força no racha do partido, o que prejudica o presidente Michel Temer.

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"A preocupação do mercado não está tanto na denúncia em si, mas principalmente no pós-denúncia. A dúvida é saber se os desdobramentos desse caso levarão a mais dificuldades do governo na condução da reformas", disse Vítor Suzaki, analista da Lerosa Investimentos.

Segundo Suzaki, o mercado operou nesta quinta-feira "com um olho na economia e outro na política". Pela manhã, diz, o mercado reagiu muito positivamente a dados como os da Anfavea, que atestou a produção de 236,9 mil veículos em setembro, com alta de 39,1% sobre o mesmo período de 2016. Outra repercussão positiva no mercado de ações foi a decisão do Itaú de reduzir de 7,0% para 6,5% a previsão para a taxa Selic no final do ciclo de reduções.

Operadores das mesas de ações ouvidos pelo Estadão/Broadcast afirmaram que, na prática, o que houve durante a tarde foi um movimento de realização de lucros de curtíssimo prazo na Bolsa. Somente na terça-feira, 3, o Ibovespa havia subido 3,23%. No acumulado de uma semana até a máxima intraday (antes do fechamento do pregão) desta quinta-feira, a valorização superava os 6%, o que teria motivado boa parte das ordens de venda.

"Os investidores entendem que a denúncia não passa pela votação do plenário da Câmara, assim como aconteceu na primeira acusação. Por isso, o fato de hoje não foi tão significativo, embora tenha tido impacto suficiente para deflagrar uma correção", disse um desses profissionais.

O cenário internacional também teve influências positivas e negativas. Na volta do feriado na Ásia, o minério de ferro teve queda de 0,92% no mercado à vista chinês e favoreceu a queda de 1,04% de Vale ON. As ações do setor siderúrgico chegaram a exibir fôlego de alta após os dados da Anfavea, mas ao final cederam à realização. CSN ON caiu 2,14% e Gerdau PN, 2,55%. 

Em contrapartida, as altas firmes dos preços do petróleo levaram Petrobras ON e PN a ganhos de 1,59% e 1,53%, respectivamente. Lá fora, a valorização da commodity foi conduzida por temores dos efeitos da tempestade tropical Nate na produção do Golfo do México e com a extensão do acordo de redução na oferta por parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

As ações do setor financeiro seguiram direções distintas. Banco do Brasil ON subiu 1,63%, mas os papéis da B3 recuaram 1,36%. 

O saldo dos investidores estrangeiros segue mostrando ingressos. Na última terça-feira (3), houve entrada de R$ 343,830 milhões, levando o acumulado de 2017 para R$ 15,013 bilhões.

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