1. Usuário
Assine o Estadão
assine
  • Comentar
  • A+ A-
  • Imprimir
  • E-mail

Bovespa faz nova oferta pela Cetip e avalia empresa em R$ 10,8 bi

- Atualizado: 19 Fevereiro 2016 | 20h 02

Oferta estipula preço de R$ 41 por ação; se negócio for concretizado, será criada uma empresa de valor de mercado de cerca de R$ 30 bilhões

A BM&FBovespa confirmou nesta sexta-feira, 19, uma nova oferta pela Cetip, na qual avalia a empresa em R$ 10,782 bilhões, conforme vinha noticiando o Broadcast, serviço de informações da Agência Estado. A oferta vinculante estipula um preço de R$ 41,00 por ação da depositária, segundo fato relevante divulgado pela Bolsa brasileira. A proposta prevê pagamento aos acionistas da depositária de 75% em dinheiro (o equivalente a R$ 30,75 por ação da depositária) e o restante em ações, na razão de 0,8991 papel ordinário da Bovespa para cada ação ordinária da Cetip, perfazendo o total de R$ 41,00 por ação. A BM&FBovespa usou como base o valor de sua ação em 30 de outubro de 2015, dia que antecedeu a primeira proposta e quando o papel fechou a R$ 11,40. Consequentemente, se os acionistas da Cetip aceitarem a oferta, passarão a deter, com base nessa relação de troca, 11,8% do capital da BM&FBovespa.

A parcela do valor a ser paga em dinheiro estará sujeita a correção pela taxa do CDI desde a data da Assembleia Geral da Cetip que aprove a operação até a data do efetivo pagamento do valor aos acionistas da depositária. O valor a ser pago aos acionistas da Cetip será reduzido no montante de quaisquer dividendos, juros sobre capital próprio e outros proventos declarados pela companhia a partir de 4 de novembro de 2015 e será deduzido, quando for o caso, de eventuais tributos devidos no resgate. "A quantidade de ações de emissão da BM&FBovespa a ser entregue será ajustada para refletir quaisquer dividendos, juros sobre capital próprio e outros proventos declarados por BM&FBovespa também a partir de 4 de novembro de 2015", informou a Bolsa em fato relevante.

Cetip informou que vai avaliar a prosposta feita pela BM&FBovespa

Cetip informou que vai avaliar a prosposta feita pela BM&FBovespa

Se a aquisição for concretizada, será criada uma empresa de valor de mercado de cerca de R$ 30 bilhões. A operação, que se desenrola no momento em que o Brasil enfrenta uma crise política e econômica que leva o mercado de capitais a se arrastar, diante da falta de confiança de empresas e investidores, tende a construir uma empresa mais robusta para quando houver uma retomada do mercado.

A oferta vinculante, na qual a Bolsa estabeleceu "um prazo de validade" de 20 dias a partir de hoje para que as empresas cheguem a um desfecho sobre a transação, acontece cerca de três meses depois de a proposta não vinculante, que ofertou R$ 39 por ação da Cetip e estabeleceu o pagamento de, no mínimo, 50% em dinheiro e de, no máximo, 50% em ações. As negociações entre Bolsa e Cetip foram antecipadas pelo Broadcast em 02 de novembro e confirmadas pelas companhias no dia seguinte.

A proposta foi aprovada em sessão do Conselho de Administração da BM&FBovespa, iniciada em 18 de fevereiro e encerrada em 19 de fevereiro de 2016. Ainda segundo o fato relevante, o Conselho de Administração da BM&F "se compromete desde logo a se manifestar favoravelmente à operação e a convocar uma Assembleia Geral de Acionistas da BM&FBovespa para deliberar acerca da mesma".

Para dar conta de um pagamento maior em dinheiro, a expectativa, ainda conforme fontes de mercado, é de que a BM&FBovespa venda uma nova fatia da CME. No ano passado, a Bolsa já alienou 20% de seu investimento e possui, hoje, 4% do capital social da bolsa americana. O dinheiro levantado com esse desinvestimento segue no caixa da Bolsa brasileira e deverá ser utilizado para financiar a aquisição.

A BM&FBovespa informou que, para fazer frente à operação, utilizará, em adição aos recursos de sua geração futura de caixa e àqueles já disponíveis em caixa, uma combinação de recursos resultantes da alienação de itens integrantes de seu ativo; uma ou mais operações de endividamento; e ações de sua emissão.

Analistas de mercado esperavam inicialmente uma oferta maior a ser realizada pela Bolsa. No entanto, as perspectivas, diante do atual contexto político econômico que afetou a atividade do mercado de capitais no Brasil, estão bastante deterioradas em relação à oferta prévia.

Minutos após a publicação da oferta, a Cetip também divulgou um fato relevante no qual informa que seu Conselho de Administração "avaliará a proposta, em conjunto com seus assessores financeiros e jurídicos, e manterá o mercado informado nos termos da legislação vigente".

Os bancos Itaú BBA e Morgan Stanley foram contratados pela Cetip após o recebimento da primeira proposta da Bolsa para fusão com a empresa e devem participar desse processo. Se a oferta for aprovada pelo Conselho, haverá a recomendação da aceitação a seus acionistas, que votarão sobre o assunto em Assembleia Geral. Além da aprovação dos acionistas das empresas, a operação precisará, posteriormente, ser aprovada pelo Conselho de Administração de Desenvolvimento Econômico (Cade), assim como pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Em novembro, quando a Cetip enviou uma negativa à oferta da Bolsa, o Conselho de Administração da depositária considerou que o preço ofertado não representava o valor justo de avaliação da companhia, além de subavaliar os seus negócios, ativos, posição de mercado e perspectivas de crescimento e rentabilidade.

Na Cetip, a principal acionista, com 12% do capital social, é a ICE, que em 2012 adquiriu a Nyse Euronext, controladora da bolsa de Nova York. Na época, comentou-se no mercado que a Cetip poderia se tornar alvo de aquisição para a constituição de uma nova bolsa no Brasil, exatamente em um momento em que se notava uma onda de consolidação das bolsas mundiais. Já o restante das ações da Cetip está em circulação no mercado. A companhia é a chamada "true corporation", ou seja, uma empresa de capital pulverizado.

Do lado da BM&FBovespa, entre os acionistas, está a CME Group, com uma fatia de 4,8%. O fundo Oppenheimer é o que detém a maior participação, com 7,37%.

No passado a Bolsa já estudou a possibilidade de fusão com a Cetip, que no mercado é apontada como sua concorrente mais próxima, mas o processo não avançou. Depois de consolidada a fusão da Bovespa com a BM&F, em 2008, a expectativa girava em torno desse negócio. Um dos problemas na época era que a Cetip era mutualizada e sem fins lucrativos, assim como eram as bolsas antes da abertura de capital. Na prática, a Cetip era vista desde então como uma peça de complementação para os negócios da Bolsa.

No fato relevante, a BM&FBovespa diz que "sua administração acredita que a combinação de talentos e de forças teria o condão de gerar importantes benefícios para os mercados financeiro e de capitais, seus participantes e usuários, respectivos acionistas das companhias, seus clientes e empregados, criando uma empresa de infraestrutura de mercado de classe mundial, com grande importância sistêmica, preparada para competir em um mercado global cada vez mais sofisticado e desafiador, aumentando a segurança, a solidez e a eficiência do mercado brasileiro".

A Cetip foi criada em 1984 pelas próprias instituições financeiras (bancos, corretoras e distribuidoras de valores), em conjunto com o Banco Central. Na época, o objetivo era garantir mais segurança e agilidade às operações do mercado financeiro. O início das atividades foi em 1986. Hoje, mais de 15 mil instituições participantes utilizam os serviços da Cetip. Além de sua unidade de valores mobiliários, a Cetip possui uma divisão de financiamento, proveniente da aquisição da GRV Solutions, que realiza, por exemplo, o registro de gravames pelos órgãos de trânsito.

A Cetip está em período de silêncio, por conta da divulgação de seu resultado referente ao quarto trimestre do ano, que ocorrerá no dia 3 de março, após o fechamento do pregão. A BM&FBovespa divulgou ontem seu demonstrativo financeiro e o lucro líquido atribuído aos acionistas foi de R$ 2,203 bilhões em 2015, mais do que o dobro do visto um ano antes (+125,4%). Hoje, em coletiva de imprensa, o diretor-presidente da Bolsa, Edemir Pinto, não teceu nenhum comentário sobre Cetip. 

Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Estadão.
É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Estadão poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Você pode digitar 600 caracteres.

Mais em EconomiaX