Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Bradesco aposta em melhora maior no crédito

Executivo retomou o discurso de bancarização, que foi deixado de lado pelo Bradesco durante a crise,

Aline Bronzati, Impresso

04 Abril 2018 | 22h07

O Bradesco está mais otimista em relação ao crescimento do crédito neste ano. O banco, que vinha trabalhando com o centro do intervalo de alta de 3% a 7% em 2018, passou a mirar, agora, o ponto alto da estimativa, de acordo com o presidente da instituição, Octavio de Lazari Junior. Ao falar para uma plateia de empresários, investidores e clientes em evento do Bradesco BBI, em São Paulo, o executivo retomou o discurso de bancarização, que foi deixado de lado pelo Bradesco durante a crise, e foi enfático em relação à concorrência: num cenário de queda dos juros, quer e vai ampliar sua participação no mercado.

“Vamos ganhar fatia de mercado. Há ainda cerca de 40 milhões de pessoas no Brasil que não são bancarizadas. É muito mais fácil essas pessoas estarem no Norte e Nordeste do Brasil do que em São Paulo e no Rio de Janeiro. Temos uma presença muito marcante nessas regiões e vamos trazer para dentro do banco quem ainda não é bancarizado”, reforçou Lazari, em conversa com jornalistas.

Na outra ponta, diante da concorrência com outros bancos e também novas entrantes – as chamadas fintechs –, a instituição está disposta a disputar cliente a cliente.

Do lado do crédito, o novo presidente do Bradesco vê oportunidades de expansão no financiamento imobiliário e no crédito consignado. “Nosso grande desafio é conseguir trazer todos os negócios do cliente para o banco: o cartão de crédito, a conta corrente, o financiamento de veículo, o seguro da casa e do carro. Só assim é possível rentabilizar e precificar melhor a relação com os clientes.”

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Do lado das empresas, os motores de expansão do crédito neste ano são as linhas de curto prazo, uma vez que esse público, diferente da pessoa física, de acordo com Lazari, ainda não entrou numa “zona de investimentos”. O foco das empresas, neste momento, conforme o executivo, é ainda desovar os estoques e reduzir a capacidade ociosa gerada por conta da crise financeira e política no Brasil.

Sobre a redução dos spreads no Brasil, Lazari garantiu que as taxas vão cair ao consumidor, embora essa queda não ocorra no mesmo ritmo que o da Selic. Elogiou as medidas do Banco Central na direção de reduzir os custos como redução dos depósitos compulsórios e o cadastro positivo e ainda de reduzir o fluxo de papel moeda com a limitação das taxas cobradas em transações com cartões de débito. Como essas mudanças tendem a refletir nos ganhos do banco, a saída é, conforme o novo presidente do Bradesco, ampliar o volume de negócios e ganhar market share da concorrência. 

 

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