Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Bradesco reporta lucro de R$ 19 bi em 2017 e prevê alta do crédito em 2018

Resultado, no entanto, foi considerado aquém das expectativas e ações tiveram queda na Bolsa nesta quinta

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

01 Fevereiro 2018 | 21h12

Embora o Bradesco tenha registrado uma alta de 11% em seu lucro tanto do quarto trimestre quanto do ano fechado de 2017, o mercado financeiro não reagiu bem aos resultados do banco, que deve definir até o fim da semana que vem seu novo presidente, em substituição ao executivo Luiz Carlos Trabuco Cappi. 

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Os papéis da instituição foram destaque de baixa nesta quinta-feira, 31, na B3 - nova denominação da Bolsa paulista -, afetando também as ações de outros bancos. O papel PN do Bradesco teve queda de 2,65% ao fim do dia, enquanto o ON recuou 2,87%. 

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O BTG Pactual avaliou os resultados do Bradesco no quarto trimestre como "mais fracos" do que o esperado.

Entre outubro e dezembro, o Bradesco teve lucro líquido de R$ 4,86 bilhões, alta de 10,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Em todo o exercício de 2017, os ganhos superaram a marca de R$ 19 bilhões, um crescimento de 11,1% sobre o balanço de 2016.

Crédito. Depois de um resultado negativo na carteira de crédito no acumulado do ano passado - o saldo terminou em R$ 492,9 bilhões, uma queda de 4,3% em relação a 2016 -, o Bradesco afirmou ontem que espera que seu volume de empréstimos volte a crescer em 2018. 

O banco prevê que sua carteira cresça de 3% a 7% neste ano, na comparação com 2017. As previsões do banco foram classificadas pelo BTG como "muito próximas das expectativas".

Nesta quinta, ao comentar os resultados da instituição, o presidente do Bradesco afirmou que a carteira de crédito já começou a reagir no fim do ano passado - entre outubro e dezembro, o volume de empréstimos teve aumento de 1,2% em relação ao resultado do terceiro trimestre. 

"Foi o primeiro crescimento em crédito em dois anos", disse Trabuco Cappi.

O executivo também minimizou ontem o risco eleitoral para a economia. "Eleições sempre criam volatilidade, (mas) o ano de 2018 é de retomada da economia brasileira."

Um ponto de pressão que pode atrapalhar o crédito é a tentativa da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) de reduzir o peso do parcelado sem juros no setor. A proposta é trocar de forma gradual o parcelado sem juros por uma linha de crédito com juros baixos. As medidas devem começar a ser implementadas ainda neste trimestre.

O diretor de relações com o mercado do Bradesco, Carlos Firetti, considera "prematuro" dizer que a mudança terá impacto significativo para o banco. 

"Não está se propondo o fim parcelado sem juros. As discussões vão muito mais no sentido de oferecer alternativas aos consumidores", disse. "Mesmo que tenha uma mudança, seria um processo gradual e, portanto, não há grande impacto nos nossos guidances (previsões)."

Calotes. A perspectiva otimista para os empréstimos neste ano vem acompanhada de uma queda na inadimplência. O Bradesco fechou o ano com índice de 4,7% de atrasos acima de 90 dias, uma baixa de 0,1 ponto porcentual em relação ao dado de setembro e retração de 0,8% ao longo de 2017. 

O Bradesco encerrou dezembro com R$ 1,3 trilhão em ativos totais, alta de 0,4% em um ano. O patrimônio líquido do banco alcançou R$ 110,45 bilhões, expansão de 10% em 12 meses.

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