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Brasil e dívida ameaçam levar Casino ao grau especulativo pela S&P

- Atualizado: 18 Janeiro 2016 | 10h 23

Após o fechamento do mercado na sexta-feira, a agência anunciou que colocou em observação negativa a nota de crédito do Casino

S&P destaca que o desempenho no Brasil foi fraco e deve piorar 

S&P destaca que o desempenho no Brasil foi fraco e deve piorar 

LONDRES - Vendas mais fracas no Brasil e o elevado endividamento do francês Casino levaram a agência de classificação Standard & Poor's a anunciar que a nota do controlador do Pão de Açúcar foi colocada em "observação negativa". Investidores reagem fortemente e a ação da varejista perdia por volta de 6% na Bolsa de Paris. A empresa reafirma que o desempenho no Brasil continua positivo e prometeu comprometimento para manter o grau de investimento.

Após o fechamento do mercado na sexta-feira, a S&P anunciou que colocou em observação negativa a nota de crédito do Casino. "A observação negativa reflete a nossa visão de que, apesar do plano da direção de vender ativos para reduzir o patamar da dívida, a lucratividade do grupo continuará a ser bastante fraca por um período longo de tempo e o nível da dívida, principalmente nas operações francesas, seguirá muito alto", disse em comunicado o analista de crédito da S&P Raam Ratnam.

O Casino tem rating "BBB-" nas emissões de longo prazo e "A-3" nas operações de curto prazo. Assim, um eventual rebaixamento da nota poderia levar a varejista francesa para o "grau especulativo" pela agência. Essa decisão sobre a nota deverá ser anunciada em até 90 dias.

Em uma lista de argumentos, a S&P destaca que o desempenho da filial brasileira foi "significativamente fraco" no quarto trimestre de 2015 e a tendência pode piorar em 2016. "Nós prevemos que a economia do Brasil continuará a diminuir em 2016, o que, combinado com a fraqueza na Ásia, continuará a pressionar a lucratividade do grupo por algum tempo", diz Ratnam. No Brasil, o Casino controla os supermercados Pão de Açúcar e Extra, além das Casas Bahia e Ponto Frio, entre outras marcas.

Ainda que a S&P reconheça que a varejista tem uma posição diversificada no varejo de alimentos na França e no Brasil, a agência nota que a empresa é "pesadamente exposta aos mercados emergentes na América Latina e Ásia, que vivem agudos desafios macroeconômicos". "Nós rebaixamos o rating em moeda estrangeira do Brasil para 'BB+' em 9 de setembro de 2015, revisamos a perspectiva para negativo e mantemos nossa visão de que o risco do País é moderadamente elevado", lembra o analista.

Comprometimento. Nesta manhã, o diretor financeiro do Casino, Antoine Giscard d'Estaing, rebateu em comunicado ao mercado os argumentos da S&P e disse que a empresa "está comprometida com o status de grau de investimento".

Sobre o Brasil, d'Estaing repetiu a avaliação de que há "bom desempenho" e a queda nas vendas da Via Varejo foi limitada no último trimestre de 2015. "Nossas vendas (no segmento não alimentício) caíram no contexto de suavização das despesas das famílias. No entanto, conseguimos limitar a queda nas vendas da Via Varejo no quarto trimestre de 2015 graças às ações para encontrar um melhor posicionamento de preço", destacou. "Assim como em 2015, nossa prioridade para 2016 é manter um fluxo de caixa operacional positivo para todas as nossas atividades no Brasil".

Sobre o endividamento global, o executivo disse que a empresa "acelerará materialmente a redução da dívida líquida graças ao plano de venda de ativos e à geração de fluxo de caixa na França que, após o pagamento de dividendos e compromissos financeiros, deverá superar 200 milhões de euros", disse. Entre as ações prometidas pela empresa, está a venda de operações na Tailândia e Vietnã, além da oferta de imóveis na Colômbia e outros negócios não estratégicos. O plano pretende levantar 4 bilhões de euros e não cita negociação de ativos no Brasil.

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