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Fabio Motta|Estadão

BTG negocia venda da varejista Leader a advogado especialista em reestruturação

Banco tenta repassar para Fábio Carvalho, conhecido pela reestruturação da Casa&Vídeo, a rede carioca, que sofre com vendas fracas e endividamento alto

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Fernanda Guimarães, Dayanne Sousa,
O Estado de S.Paulo

01 Março 2016 | 05h00

O BTG Pactual está articulando a venda da sua rede de varejo Leader ao advogado Fábio Carvalho, conhecido pela reestruturação da Casa & Vídeo, apurou o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. O modelo seria o mesmo que o banco utilizou para se desfazer da Bravante (ex-Brasbunker) no ano passado, quando a companhia do setor de petróleo parecia não ter outro destino a não ser a recuperação judicial. Esse, aliás, poderá ser o caminho para a Leader, que enfrenta um contexto de fragilidade financeira.

Nessa negociação, a venda da empresa ocorreria via um aporte na Leader, o que a ajudaria a equalizar as finanças. “Isso trará uma normalização da empresa”, disse uma fonte próxima ao BTG. O aporte a ser realizado na rede de varejo seria superior a R$ 300 milhões e ainda não está definido se o BTG vai se desfazer de todo o ativo ou se manterá uma fatia, segundo a fonte. “Não está nos planos neste momento a empresa pedir recuperação judicial”, disse a mesma fonte. O BTG é dono de 70% da rede de varejo. Os fundadores do negócio, a família Gouvêa, também estariam negociando a venda da fatia restante no negócio.

A crise da Leader, que vem sofrendo com vendas fracas e endividamento alto, já chegou até à Justiça. A família fundadora da Seller, rede de varejo adquirida pela Leader em 2013, cobra R$ 150 milhões por pagamentos não recebidos pela venda da companhia. Após o atraso de parcelas do pagamento, a Leader se tornou alvo de pedido de falência. Depois disso, a companhia contestou na Justiça e conseguiu liminar para a sustação desses protestos. A decisão considerou que a dívida protestada possui garantias que atestam a capacidade financeira da Leader para quitar seus débitos.

Modelo. Se concretizada, a estratégia para a Leader também deve ser bastante semelhante à usada para a empresa de transporte marítimo Bravante. Fontes na companhia contam que a empresa estava fragilizada pelas dívidas e pela deterioração do negócio, que envolve apoio marítimo para plataformas de petróleo. O BTG, então acionista e também detentor de debêntures conversíveis de emissão da empresa, diminuiu sua participação na companhia após um aporte de Carvalho em 2015, o qual serviu para reduzir o endividamento da Bravante e diluir o BTG.

Na época, a família Nascimento, sócia no negócio, chegou a discordar do processo, criticando o banco por abandonar o investimento num momento mais crítico e depois de a empresa ter se tornado credora do banco. A família, porém, acabou desistindo das contestações, dizem as fontes, e a transação foi em frente. A Bravante ainda não entrou com um pedido de recuperação judicial, mas esse é um caminho possível, dizem as fontes.

Na época do repasse da Bravante para Carvalho, houve muito questionamento se essa seria a receita a ser utilizada pelo banco em outras empresas investidas que acabaram se tornando um mau negócio, com queima de caixa e resultados negativos. “A percepção que temos é que hoje o BTG planeja fazer o mesmo com a Leader, para evitar a cobrança dos credores da empresa”, disse uma fonte próxima à família ex-dona da Seller.

Carvalho ficou conhecido pelo processo de reestruturação da Casa & Vídeo, companhia de eletrodomésticos com sede no Rio de Janeiro. Ele comprou a empresa em 2009, após empréstimo recebido do BTG. Em 2013, o BTG comprou 70% da companhia, depois de uma competição com as Lojas Americanas, interessada no negócio.

Em crise. A crise da Leader se evidenciou em meio ao processo de venda de ativos pelo BTG iniciado após a prisão de Esteves, em novembro do ano passado. Mas a venda da varejista é dificultada justamente pela sua crítica situação financeira. Reportagem do Estado apurou que o Ebitda projetado pelo banco para o negócio em 2015 seria de R$ 37 milhões, enquanto o endividamento superaria a marca de R$ 1 bilhão. Procurados, BTG e Leader não comentaram. A família Gouvêa e Fábio Carvalho não responderam os pedidos da reportagem.

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