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Cemig reitera que está focada em vender participação na Light

O diretor de desenvolvimento da companhia, Daniel Faria Costa, afirmou que a estatal mineira segue seu focada em seu programa de desinvestimentos

Luciana Collet, O Estado de S.Paulo

03 Abril 2018 | 18h08

O diretor de Desenvolvimento de Negócios da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Daniel Faria Costa, reiterou nesta terça-feira, 3, que a estatal mineira segue focada em seu programa de desinvestimentos, incluindo a negociação de venda da fatia detida da Light. Além da companhia fluminense, ele citou que a venda de ativos de telecom, da participação na usina hidrelétrica de Santo Antonio e a transação na Renova Energia também são foco central de atenção da administração, mas evitou citar qual seria a primeira operação a ser anunciada.

A meta da companhia, reiterada em seus demonstrativos financeiros de 2017, é executar pelo menos 50% de seu plano de desinvestimentos de R$ 8,046 bilhões em ativos até o final do semestre. Até o momento apenas R$ 1,76 bilhão foi efetivamente negociado. Costa admitiu que, a depender do sucesso das operações, a companhia deve reavaliar a execução dos demais desinvestimentos. "Estamos focados na quatro operações, na medida em que fomos realizando, trabalhamos de acordo com mercado e conveniência da companhia", disse, durante teleconferência com analistas e investidores.

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Light. A venda da Light é a operação que tem concentrado a maior atenção do mercado, em particular tendo em vista a demora na conclusão do processo, inicialmente prevista para ser concluída em 2017, e também em razão da decisão do conselho de administração da Light de propor uma mudança no estatuto para permitir um aumento do capital. "Continuamos firmes na negociação para a venda da Light", disse o executivo, classificando, porém, a operação como complexa.

Costa reiterou o discurso do presidente da Light de que a mudança proposta faz parte de um movimento de modernização e que a Cemig segue trabalhando com a conclusão da venda da Light antes de novembro, prazo do exercício da PUT que seus sócios detém contra a Cemig, o que exigiria um desembolso bilionário para a estatal mineira e resultaria na estatização da Light, com consequências graves para o endividamento da empresa por conta da possibilidade de aceleração de dívida.

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Segundo o diretor de Desenvolvimento de Negócios da Cemig, a negociação para a venda da Light está "bastante avançada", tendo recebido "diversas propostas". "Estamos trabalhando para agregar o maior valor possível", comentou, acrescentando que o preço da transação "não vai ser o preço de tela" da Light, tendo em vista a queda recente de seu valor de mercado.

Embora tenha salientando que a administração está "dedicada com afinco a concluir a operação" e sinalizado que poderia ter notícias ao mercado "em breve", afirmou que caso não seja possível concluir a transação antes do tempo previsto para exercício da PUT, a companhia teria "outras soluções para honrar a PUT", mas não revelou as opções, uma mensagem dúbia que pode reforçar a incerteza no mercado sobre a possibilidade de uma oferta de ações, que poderia diluir a participação da Cemig, evitando a estatização da empresa.

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Questionado sobre a possibilidade de a transação envolver um pagamento em dinheiro e ações, ele comentou que uma proposta neste sentido seria analisada, especialmente se as ações ofertadas tiverem liquidez. "Mas não é o que tem sido negociado", afirmou, lembrando que a ideia é usar os recursos com a venda da companhia para desalavancar a Cemig.

Costa comentou, ainda, sobre a retomada das conversas com um potencial comprador para da fatia na usina de Santo Antonio. De fato, circula no mercado que a chinesa SPIC teria voltado à mesa de negociações. O executivo disse apenas que o processo está atualmente na apresentação de novas informações e citou que o processo caminha paralelamente à negociação com outros acionistas da hidrelétrica, um fator que em outros momentos já travou o acerto de um acordo.

Já no caso da Renova Energia, o executivo comentou que a Cemig e os demais sócios tem interagido para buscar uma solução para empresa, que enfrenta grave crise financeira. Ele lembrou da oferta da Brookfield para a compra do Complexo Alto Sertão III, classificada como "muito importante", e citou também a proposta apresentada pela estatal mineira na semana passada para a compra de 51% detidos pela Renova na Brasil PCH. Conforme reiterou Costa, a operação permitiria a desalavancagem da Renova ao mesmo tempo em que viabilizaria a quitação de valores devidos pela empresa à Cemig GT.

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"Não há desembolso da Cemig com operação", salientou. Embora os créditos que a Cemig detém contra a Renova sejam em montante inferior ao valor do ativo, a diferença envolveria a assunção de obrigações da Renova, explicou.

Dos demais ativos colocados à venda, Costa citou que o processo mais adiantado envolve a Cemig Telecom. Após a incorporação da empresa pela Cemig, o próximo passo deve ser a publicação de um edital para a venda de redes e contratos desse negócio, o que está previsto para ocorrer ainda este mês.

Já a venda da Gasmig, de consórcios de exploração de gás e de participações em outras usinas, como em Belo Monte, foram postergados para 2019. A distribuidora de gás, por exemplo, ainda precisa passar por uma modelagem de venda que está sendo discutido com o governo de Minas Gerais. "É um processo demorado e complexo", comentou.

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