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China será a segunda maior potência global em 15 meses

Cláudia Trevisan, de O Estado de S. Paulo

24 Outubro 2009 | 15h 13

FMI prevê que país irá superar o Japão 5 anos antes do previsto, após crise acelerar o processo de ascensão

Em algum momento dos próximos 15 meses, a China deverá ultrapassar o Japão e se tornar a segunda maior economia do mundo, no mais extraordinário processo de ascensão de um país na história da humanidade. A ultrapassagem ocorrerá pelo menos cinco anos antes do que se previa anteriormente e será acelerada pelo impacto da crise financeira que abalou o mundo a partir de setembro de 2008.

As previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o próximo ano colocam a China no segundo lugar do ranking de países por Produto Interno Bruto (PIB), com US$ 5,263 trilhões, acima dos US$ 5,187 trilhões do Japão.

 

Para alguns economistas, a troca de lugares só não ocorreu ainda em razão da persistente valorização do iene japonês, que infla o tamanho do PIB do país quando ele é convertido para o dólar. Na China, o yuan está no mesmo nível desde meados de 2008, o que limita o valor em dólar da economia.

A ascensão da China foi meteórica e levou a uma total transformação da ordem econômica existente na década passada, quando Estados Unidos, Europa e Japão tinham inquestionável ascendência na arena global. Também forçou a discussão sobre o redesenho de organizações multilaterais, como o FMI e o Banco Mundial, nas quais o poder de voto da China não reflete o tamanho de sua economia.

 

“O sistema internacional construído depois da Segunda Guerra Mundial será quase irreconhecível em 2025 por causa da ascensão dos países emergentes, da globalização da economia, da histórica transferência de riqueza e poder econômico do Ocidente para o Oriente e da crescente influência de atores não estatais”, observa o documento “Global Trends 2025: A Transformed World”, publicado pelo Conselho Nacional de Inteligência dos Estados Unidos em novembro.

 

A China está no centro das forças que estão moldando esse novo cenário. Há cinco anos, o país aparecia em sexto lugar no ranking dos maiores PIBs do mundo elaborado pelo FMI, atrás de Estados Unidos, Japão, Alemanha, Inglaterra e França. Desde então, começou uma rápida escalada, impulsionado por uma taxa média de crescimento anual de quase 11%.

 

Inglaterra e França já haviam sido deixadas para trás em 2006 e, no ano seguinte, foi a vez de a Alemanha abandonar o posto de terceira maior economia. O Japão está prestes a perder o lugar que ocupou nos últimos 40 anos, conquistado por seu espetacular crescimento no período pós-guerra.

 

Na avaliação de Stephen Green, economista-chefe do Standard Chartered para a China, o país provavelmente já tem o segundo maior PIB do mundo, já que 20% de sua economia está na informalidade e não aparece nas estatísticas oficiais.

Mas ele ressalta que o PIB per capita chinês continuará a ser muito inferior ao do japonês. “Isso é o que importa para a vida das pessoas e, nesse terreno, a China ainda é muito pobre”, observa.

No próximo ano, de acordo com o FMI, o PIB per capita do país será de US$ 3,9 mil, um décimo dos US$ 40,7 mil previstos para o Japão. Nesse quesito, a China também está bem atrás do Brasil, que deverá alcançar US$ 8,9 mil em 2010.

 

Zona Rural

Essa é outra particularidade do processo de ascensão da China. O país que será o mais influente do mundo depois dos Estados Unidos nos próximos anos ainda está longe de ser rico e se inclui no time das nações em desenvolvimento. Apesar do espantoso crescimento industrial das últimas três décadas, 55% da população chinesa ainda vive na zona rural e tem uma renda per capita anual que ronda os US$ 800.

 

Os números da China melhoram quando são considerados em termos da Paridade do Poder de Compra (PPC), que considera o poder aquisitivo da moeda nacional dentro de cada país. Por esse critério, o FMI prevê que o PIB per capita chinês será em 2010 de 7,2 mil dólares internacionais, a “moeda” que permite a comparação dos valores. O Brasil estará em 10,9 mil e o Japão, em 33,9 mil.

 

Quando o PIB global de cada país é considerado em termos de PPC, a China ocupa o segundo lugar no ranking desde 2001, quando passou a ter uma economia de 3,34 trilhões de dólares internacionais, comparados a 3,29 trilhões de dólares internacionais do Japão.

 

A China possui o maior volume de reservas internacionais do mundo, de US$ 2,27 trilhões, e é detentora do maior volume de títulos do Tesouro americano, posição ocupada pelo Japão até o ano passado.

 

O país governado por um Partido Comunista também deverá se tornar a principal potência comercial do planeta em 2010, segundo previsão da Organização para a Cooperação Econômica e o Desenvolvimento (OCDE), com uma soma de exportações e importações superior à da Alemanha e à dos Estados Unidos.

 

As apostas agora são sobre quando os chineses vão ultrapassar os americanos e assumir o posto de maior economia do mundo.

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