Cidades inteligentes

A integração da Internet das Coisas na infraestrutura urbana já beneficia populações em vários centros ao redor do mundo

Guy Perelmuter*, O Estado de S.Paulo

18 Maio 2017 | 05h01

De acordo com uma pesquisa realizada pela firma de consultoria International Data Corporation em 2016, os maiores desafios para utilização efetiva da Internet das Coisas (ou Internet of Things - IoT) envolvem segurança, privacidade, custos de implementação e manutenção, infraestrutura de TI e habilidades específicas nesse novo mercado, no qual a capacidade de processar volumes expressivos de dados torna-se crítica. Esses desafios já seriam significativos caso considerássemos apenas as aplicações da IoT no mundo corporativo. Levando-se em conta também a aplicação inevitável da tecnologia nas residências e nas cidades, lidar adequadamente com essas questões torna-se um tema crítico. 

As "cidades inteligentes" (ou smart cities) são uma prioridade para os governos e empresas ao redor do mundo, com um potencial de mercado para segmentos como energia, infraestrutura, segurança, transporte, construção civil e saúde que chega a US$ 1,5 trilhões de acordo com a firma de consultoria Frost & Sullivan.

O aumento populacional constante nos centros urbanos - seja devido ao fluxo migratório ou ao aumento na expectativa de vida da população - bem como mudanças comportamentais na sociedade, que vão desde uma consciência ecológica mais acentuada até uma nova forma de consumir e utilizar os bens, aumentam sistematicamente as demandas para transformações. A entidade sem fins lucrativos Population Reference Bureau estima que 70% da população mundial estará em cidades em 2050 - sendo que em países desenvolvidos esse número já está em 75%.

Essa urbanização sem precedentes irá exigir maior eficiência e robustez em praticamente todos os processos e serviços que atendem uma cidade, gerando oportunidades de negócios em diversos setores. Devido à natureza destes projetos em larga escala, nos quais será necessário coletar, transmitir, analisar e atuar sobre informações em tempo real, tipicamente quatro tipos de participantes irão desempenhar funções críticas: fornecedores de equipamentos, provedores de acesso às telecomunicações, integradores e gestores do serviço. 

Os fornecedores de equipamentos são responsáveis por "equipar" a cidade com sensores capazes de desempenhar a função específica exigida por determinado projeto: vazamentos de água, consumo de energia, volume de tráfego, toxicidade do lixo, nível de ruído. As informações coletadas são transmitidas pela estrutura de telecomunicações, com foco na comunicação entre os equipamentos e os responsáveis pelos serviços. Integradores irão unir os diversos serviços em uma plataforma homogênea e consistente, e finalmente os gestores do serviço irão monitorar e garantir o resultado desejado.

Energia e trânsito são temas recorrentes para o desenvolvimento das cidades. O desenvolvimento do chamado smart grid - uma rede elétrica inteligente - envolve o uso de novos medidores e sistemas domésticos de armazenamento de energia, permitindo que em horários de pico (no qual a tarifa ao consumidor é mais cara) seja utilizada a energia armazenada, bem como o uso de fontes alternativas e limpas. O controle dinâmico dos sinais de trânsito de acordo com o volume de tráfego, sensores nas ruas e otimização de rotas para serviços médicos também fazem parte do desenvolvimento da infraestrutura necessária de uma cidade inteligente.

Em 2016 a empresa Juniper Research escolheu as cinco cidades mais inteligentes do mundo, após analisar aspectos como controle e melhoria do tráfego, acesso à rede sem fio, uso de smartphones, disponibilização de informações via apps e a utilização de redes inteligentes para iluminação e consumo de eletricidade. As vencedoras foram Singapura, Barcelona, Londres, São Francisco e Oslo.

Semana que vem iremos discutir as iniciativas adotadas por essas e outras cidades que já estão atuando diretamente sobre temas críticos para a melhoria da qualidade de vida da população. Até lá.

*Fundador da GRIDS Capital, é Engenheiro de Computação e Mestre em Inteligência Artificial

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