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Economia

Bombril

Com prejuízo e dívida alta, Bombril pode ter de pedir nova recuperação judicial

Empresa ampliou portfólio e investiu em marketing, mas resultado continuou no vermelho; reestruturação em curso quer reverter patrimônio líquido negativo e renegociar dívidas tributárias

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Fernando Scheller, Mônica Scaramuzzo,
O Estado de S.Paulo

27 Fevereiro 2016 | 05h00

Uma das mais tradicionais empresas brasileiras, a fabricante de bens de consumo Bombril contratou assessoria para reestruturar o negócio, que sofre com alto endividamento, caixa reduzido e sucessivos prejuízos acumulados. Fontes de mercado afirmam que a companhia poderá fazer um novo pedido de recuperação judicial, caso não tenha sucesso nas renegociações em curso.

Este é mais um episódio conturbado de uma agitada história empresarial. A companhia, fundada em 1948 e conhecida especialmente por sua esponja de aço, já passou por severos problemas financeiros, trocou de dono, enfrentou brigas entre sócios e até um longo processo de recuperação judicial, que se estendeu de 2003 a 2006.

O negócio é hoje controlado pelo filho do fundador, Ronaldo Sampaio Ferreira, mas tem entre seus sócios minoritários o investidor Silvio Tini, o fundo de pensão Previ (caixa de previdência dos funcionários do Banco do Brasil) e o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O Estado apurou que a atual reestruturação da empresa, comandada pela consultoria Ricardo K (de Ricardo Knoepfelmacher), busca uma solução financeira para a companhia. Neste momento, dizem fontes, a ideia ainda é evitar a recuperação judicial, apesar dos números ruins. A Bombril teve receita bruta de R$ 1,24 bilhão nos primeiros nove meses de 2015. O prejuízo, em igual período, foi de R$ 240 milhões.

A empresa sofre também com o caixa apertado: tinha R$ 11 milhões disponíveis em 30 de setembro de 2015, ante R$ 53 milhões no fechamento de 2014. Nos primeiros nove meses do ano, o endividamento líquido total subiu 26% e atingiu R$ 476 milhões, puxado pelas dívidas tributárias. Mais de 60% dos débitos da Bombril são de curto prazo.

Uma fonte ligada à companhia diz que o processo de diversificação do portfólio de produtos empreendido nos últimos anos (com o lançamento de novos itens do setor de limpeza e de uma linha de cosméticos) não deu o resultado esperado. Pelo contrário: a investida acabou por apertar ainda mais as margens.

Na tentativa de “virar a página”, a empresa também fez mudanças no marketing: abandonou seu “garoto Bombril”, Carlos Moreno, em favor de uma campanha voltada ao poder feminino, com a cantora Ivete Sangalo e as comediantes Dani Calabresa e Mônica Iozzi.

Trajetória. Se pedir recuperação judicial novamente, a empresa retornará à situação especial que já viveu entre 2003 e 2006, época em que o filho do fundador do negócio, Ronaldo Sampaio Ferreira, voltou ao comando da companhia, que havia sido vendida a um grupo italiano nos anos 1990.

Em 2002, Ferreira iniciou uma disputa judicial com Sérgio Cragnotti. Segundo o filho do fundador, o empresário, que havia comprado a companhia por meio do grupo italiano Cirio, havia desembolsado apenas uma pequena parte do valor devido. Após acionar a Justiça, Ferreira conseguiu ser reconduzido ao comando da Bombril. Foi quando a empresa pediu a recuperação judicial, encerrada três anos mais tarde.

Desde então, a Bombril iniciou um esforço para recuperar a lucratividade, mas, ao longo dos anos, não conseguiu sair do vermelho. Em 2015, à medida que a crise se tornou mais aguda, a situação do negócio piorou. No terceiro trimestre, o prejuízo triplicou em relação a igual período do ano anterior.

Quem conhece o dia a dia do negócio defende uma mudança de gestão. “O produto é maravilhoso, mas a empresa só tem uma saída: ser vendida”, afirma uma fonte ligada à Bombril.

Procurada, a gestora Ricardo K não quis comentar. A Bombril admitiu, em nota, que está analisando uma reestruturação de capital às novas condições do mercado. A empresa negou que esteja planejando um pedido de recuperação judicial.

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