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Conselho da Petrobrás muda composição

Sabrina Valle - Agência Estado

02 Abril 2014 | 18h 50

Acionistas minoritários conseguiram eleger José Monforte para a vaga de Jorge Gerdau 

Atualizado às 22h

RIO - Numa vitória inédita, acionistas minoritários da Petrobrás, entre fundos estrangeiros e pessoas físicas, se uniram e conseguiram eleger dois representantes independentes para o conselho de administração da petroleira. Eles venceram os votos de fundos de pensão estatais e demais minoritários ligados ao governo. Com isso, o conselho passa a ter três representantes independentes e o governo reduz sua influência para sete assentos.

O conselho é composto por dez vagas, sendo sete do governo, duas de minoritários e uma indicação dos trabalhadores. Até 2011, o conselho tinha nove vagas e todas eram ocupadas por representantes com aval, direto ou indireto, do governo.

A novidade neste ano foi a eleição de José Guimarães Monforte na vaga que era ocupada pelo empresário Jorge Gerdau, que deixa o conselho após anos no órgão. Apesar de ocupar vaga de minoritários, Gerdau votava alinhado com o governo e era eleito com apoio de fundos de estatais como Previ, Funcef e Petros. Monforte, fundador da Pragma Gestão de Patrimônio e ex-executivo do Citibank em Nova York, ganhou com três vezes mais votos do que Gerdau. "É uma grande responsabilidade", limitou-se a dizer.

Em nota, a gestora de recursos britânica Aberdeen comemorou a eleição de Monforte, ressaltando que o executivo poderá "colaborar significativamente para a adoção de modelos de gestão que visem ao interesse de todos os acionistas". O presidente da Associação de Investidores no Mercado de Capitais (Amec), Mauro Cunha, foi reeleito para um segundo mandato. "Finalmente os minoritários conseguiram eleger seus conselheiros", disse Silvio Sinedino, conselheiro eleito para a cadeira reservada aos trabalhadores.

Estrangeiros. O acionista Rafael Alves, acredita que uma maior articulação de acionistas estrangeiros possibilitou a vitória dos independentes. Lideraram o movimento os fundos Aberdeen, F&C e Hermes. "Não achávamos que iríamos ganhar", disse Alves.

Minoritários presentes que iniciaram a assembleia fazendo críticas à empresa, incluindo contra o voto de fundos estatais alinhados ao controlador, encerraram o encontro com elogios. "Foi a assembleia mais linda que essa empresa já teve", disse o acionista José Teixeira.

Não foram informados os votos de fundos de pensão, com exceção da Previ, cujo representante manifestou verbalmente voto em favor de Cunha e Gerdau, considerando não sofrer influência do governo. O presidente da mesa, o diretor financeiro da Petrobrás, Almir Barbassa, reforçou que fundos que considerassem sofrer influência não deveriam votar, uma posição também inédita e que cede à pressão de minoritários.

A União, acionista majoritária, manteve a composição do ano passado. Reelegeu o ministro da Fazenda, Guido Mantega, como presidente e manteve os conselheiros Graça Foster, Márcio Zimmermann, Sergio Quintella, Francisco Roberto de Albuquerque, Mirian Aparecida Belchior e Luciano Galvão Coutinho. Para o conselho fiscal foram mantidos Paulo Souza, Cesar Rech, Marisete Pereira, Reginaldo Ferreira Alexandre e Walter Albertoni, sendo os dois últimos independentes.