1. Usuário
Assine o Estadão
assine
  • Comentar
  • A+ A-
  • Imprimir
  • E-mail

Conselho da Usiminas aprova aporte de R$ 1 bi para dar fôlego à siderúrgica

- Atualizado: 11 Março 2016 | 22h 22

Para tentar livrar a companhia de recuperação judicial, acionistas da siderúrgica aprovaram a capitalização bilionária por sete votos a três; injeção de recursos abre espaço para renegociação de dívidas

Além de aumento de capital, empresa também vai emitir novas ações
Além de aumento de capital, empresa também vai emitir novas ações

Os acionistas da Usiminas aprovaram nesta sexta-feira, 11, um aporte de R$ 1 bilhão na siderúrgica mineira, que passa por uma situação financeira delicada. “Todos votaram em unanimidade pela necessidade de capitalização, mas houve divergência entre os dois principais sócios (Nippon Steel e Techint) sobre o valor a ser aportado”, disse uma fonte que participou da reunião do conselho de administração da companhia. Por sete a três, os acionistas aceitaram fazer o aporte de R$ 1 bilhão.

Com isso, a siderúrgica poderá começar a dar prosseguimento ao processo de renegociação com os bancos – e já há conversas em curso. Na proposta colocada à mesa, a Nippon sugeriu o aporte aprovado, enquanto a Techint teria defendido uma capitalização de R$ 560 milhões. O aporte terá de ser feito em até 60 dias, segundo fontes próximas à empresa.

Além desse aumento de capital, o conselho aprovou a emissão de 50,6 milhões de ações PNA ao preço de R$ 1,28, o que, a depender da adesão, poderá levantar mais R$ 65 milhões. Com isso, a injeção de capital poderá alcançar R$ 1,065 bilhão. Nesta sexta-feira, 11, a ação PNA da Usiminas fechou a R$ 2,02, com queda de 4,27%.

“A Usiminas precisa de quatro pontos importantes. A capitalização, que já foi aceita, a renegociação das dívidas, que se intensifica agora, a venda de ativos (já em curso) e o capital da Usiminas Mineração (Musa)”, disse uma fonte. Após a capitalização, a Musa, que detém grande parte do caixa hoje da Usiminas, deverá liberar entre R$ 600 milhões e R$ 700 milhões para a siderúrgica. A subsidiária tinha ao final de dezembro um caixa de R$ 1,3 bilhão. A Usiminas tem uma fatia de 70% na companhia e a japonesa Sumitomo o restante.

Fôlego. O caixa da siderúrgica mineira deve ter fôlego para mais dez dias e uma injeção de capital vinha sendo apontada como fundamental para que a empresa evite uma recuperação judicial. No fim de 2015, a Usiminas tinha uma dívida bruta de R$ 5,9 bilhões, sendo R$ 1,9 bilhão com vencimento neste ano. Segundo as demonstrações financeiras da companhia, os vencimentos neste ano estão nas mãos de BNDES, Banco do Brasil e Santander, além do Banco de Cooperação Internacional do Japão (JBIC).

Assim, com o caixa muito perto do fim, mesmo com a decisão pelo aporte, a Usiminas terá que negociar já na semana que vem um acordo para adiamento das cobranças, chamado de “stand still”, o que se torna necessário diante da falta de tempo hábil para a estruturação do aumento de capital. Os bancos vinham cobrando um aumento de capital para renegociarem as dívidas, segundo fontes.

Agora, disse uma fonte, o arranjo societário da Usiminas dependerá de quais acionistas acompanharão a capitalização. Pela proposta aprovada, o aumento de capital considera apenas a emissão de ações com direito a voto. A Nippon está disposta a aportar sozinha R$ 1 bilhão na empresa, se necessário, apurou o Estado. Com isso, a Ternium poderá ser diluída, se não acompanhar o aporte.

Na quinta-feira, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), maior acionista fora do bloco de controle da Usiminas com uma fatia de cerca de 14% do capital votante, entrou com um pedido de liminar para suspender o aumento de capital, sob a alegação de que iria diluir os acionistas. No entanto, o pedido foi indeferido. A siderúrgica de Benjamin Steinbruch também vive um momento delicado e, após ter alongado o prazo de pagamento de parte de suas dívidas, colocou ativos à venda.

Cubatão. Sem o aporte de capital, a situação financeira da Usiminas poderia comprometer de vez as atividades da unidade de Cubatão, ex-Cosipa. “Se os acionistas não chegassem a um consenso sobre a capitalização da companhia, a fábrica de Cubatão correria o risco de ser fechada”, disse uma fonte próxima às operações.

Em janeiro, a Usiminas paralisou as áreas primárias de produção (coquerias, sintetizadores e aciarias) para se adequar à realidade do mercado, informou à época. Dos cinco altos-fornos, apenas dois estão em operação, ambos em Ipatinga (MG). Em Cubatão, só está em funcionamento a área de laminação.

Com isso, dos 4,2 mil funcionários da unidade, cerca de 2 mil foram demitidos. Na quarta-feira, dos 2,2 mil funcionários que permaneceram na companhia, 1,3 mil saíram de licença remunerada. A volta está prevista para 20 de março. “A decisão foi motivada pela baixa demanda do mercado e visa otimizar os custos”, disse a empresa, em nota. Os acionistas descartam o fechamento de Cubatão.

Procurados, Nippon, Ternium e CSN não comentaram.

Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Estadão.
É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Estadão poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Você pode digitar 600 caracteres.

Mais em EconomiaX