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Economia

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Conselho da Usiminas aprova aporte de R$ 1 bi para dar fôlego à siderúrgica

Para tentar livrar a companhia de recuperação judicial, acionistas da siderúrgica aprovaram a capitalização bilionária por sete votos a três; injeção de recursos abre espaço para renegociação de dívidas

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Fernanda Guimarães, Mônica Scaramuzzo,
O Estado de S.Paulo

11 Março 2016 | 22h13

Os acionistas da Usiminas aprovaram nesta sexta-feira, 11, um aporte de R$ 1 bilhão na siderúrgica mineira, que passa por uma situação financeira delicada. “Todos votaram em unanimidade pela necessidade de capitalização, mas houve divergência entre os dois principais sócios (Nippon Steel e Techint) sobre o valor a ser aportado”, disse uma fonte que participou da reunião do conselho de administração da companhia. Por sete a três, os acionistas aceitaram fazer o aporte de R$ 1 bilhão.

Com isso, a siderúrgica poderá começar a dar prosseguimento ao processo de renegociação com os bancos – e já há conversas em curso. Na proposta colocada à mesa, a Nippon sugeriu o aporte aprovado, enquanto a Techint teria defendido uma capitalização de R$ 560 milhões. O aporte terá de ser feito em até 60 dias, segundo fontes próximas à empresa.

Além desse aumento de capital, o conselho aprovou a emissão de 50,6 milhões de ações PNA ao preço de R$ 1,28, o que, a depender da adesão, poderá levantar mais R$ 65 milhões. Com isso, a injeção de capital poderá alcançar R$ 1,065 bilhão. Nesta sexta-feira, 11, a ação PNA da Usiminas fechou a R$ 2,02, com queda de 4,27%.

“A Usiminas precisa de quatro pontos importantes. A capitalização, que já foi aceita, a renegociação das dívidas, que se intensifica agora, a venda de ativos (já em curso) e o capital da Usiminas Mineração (Musa)”, disse uma fonte. Após a capitalização, a Musa, que detém grande parte do caixa hoje da Usiminas, deverá liberar entre R$ 600 milhões e R$ 700 milhões para a siderúrgica. A subsidiária tinha ao final de dezembro um caixa de R$ 1,3 bilhão. A Usiminas tem uma fatia de 70% na companhia e a japonesa Sumitomo o restante.

Fôlego. O caixa da siderúrgica mineira deve ter fôlego para mais dez dias e uma injeção de capital vinha sendo apontada como fundamental para que a empresa evite uma recuperação judicial. No fim de 2015, a Usiminas tinha uma dívida bruta de R$ 5,9 bilhões, sendo R$ 1,9 bilhão com vencimento neste ano. Segundo as demonstrações financeiras da companhia, os vencimentos neste ano estão nas mãos de BNDES, Banco do Brasil e Santander, além do Banco de Cooperação Internacional do Japão (JBIC).

Assim, com o caixa muito perto do fim, mesmo com a decisão pelo aporte, a Usiminas terá que negociar já na semana que vem um acordo para adiamento das cobranças, chamado de “stand still”, o que se torna necessário diante da falta de tempo hábil para a estruturação do aumento de capital. Os bancos vinham cobrando um aumento de capital para renegociarem as dívidas, segundo fontes.

Agora, disse uma fonte, o arranjo societário da Usiminas dependerá de quais acionistas acompanharão a capitalização. Pela proposta aprovada, o aumento de capital considera apenas a emissão de ações com direito a voto. A Nippon está disposta a aportar sozinha R$ 1 bilhão na empresa, se necessário, apurou o Estado. Com isso, a Ternium poderá ser diluída, se não acompanhar o aporte.

Na quinta-feira, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), maior acionista fora do bloco de controle da Usiminas com uma fatia de cerca de 14% do capital votante, entrou com um pedido de liminar para suspender o aumento de capital, sob a alegação de que iria diluir os acionistas. No entanto, o pedido foi indeferido. A siderúrgica de Benjamin Steinbruch também vive um momento delicado e, após ter alongado o prazo de pagamento de parte de suas dívidas, colocou ativos à venda.

Cubatão. Sem o aporte de capital, a situação financeira da Usiminas poderia comprometer de vez as atividades da unidade de Cubatão, ex-Cosipa. “Se os acionistas não chegassem a um consenso sobre a capitalização da companhia, a fábrica de Cubatão correria o risco de ser fechada”, disse uma fonte próxima às operações.

Em janeiro, a Usiminas paralisou as áreas primárias de produção (coquerias, sintetizadores e aciarias) para se adequar à realidade do mercado, informou à época. Dos cinco altos-fornos, apenas dois estão em operação, ambos em Ipatinga (MG). Em Cubatão, só está em funcionamento a área de laminação.

Com isso, dos 4,2 mil funcionários da unidade, cerca de 2 mil foram demitidos. Na quarta-feira, dos 2,2 mil funcionários que permaneceram na companhia, 1,3 mil saíram de licença remunerada. A volta está prevista para 20 de março. “A decisão foi motivada pela baixa demanda do mercado e visa otimizar os custos”, disse a empresa, em nota. Os acionistas descartam o fechamento de Cubatão.

Procurados, Nippon, Ternium e CSN não comentaram.

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