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Em meio à crise do alumínio, CBA é desmembrada da Votorantim Metais

Com administração e balanço independentes, Companhia Brasileira de Alumínio deve reforçar criação de soluções a clientes locais, enquanto Votorantim Metais quer crescer no exterior e em mineração

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Fernando Scheller, Cátia Luz ,
O Estado de S.Paulo

04 Junho 2016 | 05h00

A Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) deixou de fazer parte da estrutura da Votorantim Metais e se tornou um negócio independente desde o último dia 1º de junho. A decisão, segundo o presidente da agora independente CBA, Ricardo Carvalho, veio em função das estratégias diferentes das companhias. Enquanto a Votorantim Metais quer reforçar o crescimento em mineração e olhar oportunidades em outros países, sobretudo na América Latina, a CBA está focada em atender o mercado nacional com diferentes soluções de alumínio.

O executivo admitiu, no entanto, que, diante da profunda crise vivida pela indústria de alumínio nos últimos anos, a empresa poderá tomar decisões mais rápidas em eventuais oportunidades de negócio por não estar mais subordinada à Votorantim Metais. A CBA faturou R$ 4,6 bilhões no ano passado. Houve um aumento de receita em relação a 2014, mas ele foi motivado pelo negócio de venda de energia da companhia.

O setor de alumínio no Brasil retrocedeu 30 anos, voltando ao nível de produção de 1985. A situação se agravou nos últimos anos pela superoferta criada pelo “boom” de produção na China (veja box). Somente no ano passado, a produção do metal caiu 19,7% no Brasil, para 772 milhões de toneladas, ante 962 milhões de 2014, segundo a Associação Brasileira do Alumínio (Abal). O ciclo de problemas na cadeia do metal se arrasta por vários anos: a produção de 2015 foi equivalente à metade da registrada em 2008, quando o volume foi de 1,66 milhão de toneladas de alumínio.

Na esteira da redução de 50% do mercado em menos de uma década, a maior parte das indústrias teve de pôr o pé no freio. Somente entre janeiro e setembro do ano passado, o setor de alumínio demitiu mais de 15 mil pessoas. A CBA é uma das “sobreviventes” na cadeia do alumínio brasileira, ao lado da paraense Albrás, hoje controlada pela norueguesa Norsk Hydro. Entre as multinacionais que saíram da produção de alumínio primário no Brasil estão as americanas Alcoa e Novelis.

Nova estrutura. Ao declarar independência da Votorantim Metais, a CBA ganhou estrutura administrativa e conselho de administração próprios – antes usava o “back office” e o conselho da “coirmã”. Para navegar um mercado em sérias dificuldades, a fabricante de alumínio tem três operações de mineração em Minas Gerais e uma indústria de transformação em Alumínio (SP), além de ativos de energia, incluindo PCHs.

Para isso, conta o presidente da CBA, que já comandava o segmento na Votorantim Metais, foram criadas três linhas de negócios: a responsável por commodities (denominada “upstream”), a de produtos para indústrias (“downstream”) e a de autogeração de energia. Com a crise e a redução da produção, as empresas passaram a ter sobra de eletricidade. A venda deste excedente é hoje uma fonte importante de receita para as companhias do setor.

No segmento de soluções para indústrias, as prioridades da CBA são o mercado de transportes – fornecimento para indústrias de caminhões, ônibus e veículos – e o setor de embalagens, com a produção de folhas de alumínio para caixas longa vida. Nos setores de energia, construção civil, energia, utensílios domésticos e linha branca, em que a empresa também atua, as soluções serão adaptadas às necessidades de cada grande cliente.

Por enquanto, admite Carvalho, o foco da CBA é a contenção de despesas, já que o mercado não permite saltos produtivos. Investimentos que estavam previstos, como o projeto de alumina Rondon, estão sendo revistos. No início deste ano, a empresa fez “road show” para apresentar o ativo para potenciais investidores estrangeiros.

Sócia minoritária. A CBA buscou interessados principalmente na China e no Oriente Médio. O objetivo da agora independente Companhia Brasileira de Alumínio, caso algum investidor se proponha a desenvolver a reserva hoje não explorada, é virar uma sócia minoritária do projeto. O novo sócio ficaria com a maior parte da produção e também faria o investimento necessário para explorar a reserva, estimado em R$ 6,6 bilhões. O cronograma inicial do projeto Rondon, que teria o potencial de ser a segunda maior refinaria de alumina em todo o mundo, previa o início da operação para o ano que vem.

O projeto Rondon foi reformulado para se tornar um ativo “flex”, capaz de produzir tanto alumina quanto bauxita. “Nós percebemos que não houve interesse (no passado) por novas capacidades de produção de alumina”, disse Carvalho ao Estado, explicando a mudança de estratégia.

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