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Embraer reverte prejuízo, mas prevê 2018 difícil

Fabricante admitiu que receita e lucro podem sofrer durante transição para nova geração de aeronaves comerciais

O Estado de S.Paulo

27 Outubro 2017 | 22h43

A Embraer anunciou nesta sexta-feira, 27, um lucro líquido de R$ 351 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 111,4 milhões no mesmo período do ano passado. Já a receita caiu 16%, passando de R$ 4,913 bilhões para R$ 4,144 bilhões. Em reação à divulgação dos resultados, as ações da fabricante brasileira de aeronaves registraram queda de 4,17% nesta sexta-feira, enquanto o Ibovespa, principal índice da B3, fechou o dia leve alta de 0,10%.

++Airbus compra controle de jatos C-Series da Bombardier

Foram as projeções (guidance) divulgadas para 2018 que decepcionaram os analistas de mercado. A Embraer admitiu que a receita e o lucro do próximo ano podem sofrer durante a transição para a nova geração de aeronaves comerciais E2, com desaceleração das entregas e consumo de capital.

A perspectiva desafiadora para 2018 destaca o quanto a empresa depende da sua nova linha de jatos de 70 a 130 passageiros, com a qual irá competir, com o modelo maior, com as aeronaves CSeries, da joint venture entre a europeia Airbus e a canadense Bombardier.

“A Embraer espera que 2018 seja um ano de transição, com a entrada em operação do primeiro modelo E2, o E190-E2, aliada a um mercado ainda estável nos segmentos de Aviação Executiva e de Defesa & Segurança”, disse a empresa.

A companhia projeta uma demanda estável de jatos executivos, com a entrega de 105 a 125 unidades leves e grandes em 2018. Prevê ainda uma redução das entregas de jatos comerciais para 85 a 95 aeronaves, ante previsão de entrega de 97 a 102 aeronaves comerciais neste ano.

O custo adicional da expansão para a produção de um novo modelo também deve pesar sobre a rentabilidade, disse a fabricante.

Rivais. O vice-presidente executivo de Finanças e Relações com Investidores da Embraer, José Filippo, afirmou, em conferência com jornalistas, que a fabricante ainda não enxerga necessidade de rever seu cenário em virtude do acordo entre Airbus e Bombardier no programa de jatos CSeries. “Não entendemos que haja novidade em termos de competitividade quanto a produto.”

A canadense Bombardier anunciou neste mês a venda de uma fatia majoritária de seus negócios de aeronaves comerciais C Series para a europeia Airbus, sem nenhum custo. O movimento vem na esteira de vendas fracas após o Departamento de Comércio dos Estados Unidos impor tarifas pesadas aos negócios da Bombardier, acusando a companhia de vender aviões CSeries abaixo do custo no país, além de receber subsídios do governo canadense.

Filippo destacou ainda que o jato E2 é o mais eficiente de sua categoria, e que o movimento da concorrência apenas reafirma o potencial do mercado de aeronaves com capacidade entre 100 e 150 passageiros. / LETICIA FUCUCHIMA, COM REUTERS

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