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Marcos Arcoverde|Estadão

Empresas de commodities na Bolsa têm prejuízo recorde de R$ 91,3 bilhões

Afetadas pela queda das commodities e obrigadas a reavaliar ativos, Petrobrás e Vale responderam, sozinhas, por 86,5% do total de perdas em 2015; outro fator que pesou foi o câmbio

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Flavia Alemi,
O Estado de S.Paulo

30 Março 2016 | 05h00

O resultado de 2015 foi devastador para empresas brasileiras ligadas à área de commodities listadas no Ibovespa – índice de referência da Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa). Companhias de peso – como Vale, Petrobrás, Gerdau, Gerdau Metalúrgica, Usiminas, Klabin e Suzano – registraram as piores baixas de sua história e somaram prejuízo de R$ 91,3 bilhões, segundo levantamento da consultoria Economática feito a pedido do ‘Estado’. As quedas mais expressivas foram de Vale e Petrobrás, que, juntas, respondem por 86,5% desse total.

Nos casos de Vale e Petrobrás, o resultado foi afetado não só pela queda nas vendas, mas também pela redução dos valores das cotações internacionais do minério de ferro e do petróleo. As empresas também foram obrigadas a rever o valor de seus ativos devido aos preços das commodities e das estimativas futuras de produção, o que acarretou correções em seus balanços.

“Verificou-se que muitos ativos não eram capazes de recuperar os seus preços. Então, contabilmente, eles precisavam de um ajuste no valor”, explica o analista da Planner Corretora, Luiz Francisco Caetano.

No caso da Vale, que teve prejuízo de R$ 44,2 bilhões, o preço da tonelada do minério de ferro está em US$ 54,70 atualmente – o insumo vale menos de um terço da cotação de cinco anos atrás, quando atingiu o pico de US$ 187,18 por tonelada. Já o barril de petróleo chegou à mínima de US$ 27 (em janeiro deste ano) – hoje, vale pouco mais de US$ 40. A Petrobrás perdeu R$ 34,9 bilhões no ano passado.

A boa notícia, segundo o analista da Planner, é que as commodities devem apresentar alguma reação em 2016. “Aparentemente, as commodities já bateram no fundo do poço e a tendência agora é de alta. Com a expectativa de que a crise política esteja próxima de alguma solução no Brasil, estamos formando um conjunto de fatores positivos nos resultados deste ano”, diz Caetano, alertando que a recuperação será gradual.

Câmbio. Além da queda nos preços das commodities, as empresas sofreram com o fator câmbio. Em 2015, o dólar disparou (43,1%) frente ao real, fechando o ano a R$ 3,85. Embora esse dado possa, a princípio, parecer positivo para as exportadoras, boa parte das dívidas dessas companhias também é cotada na moeda americana.

Foi justamente este fator que afetou negativamente os balanços da Klabin e da Suzano – ambas produtoras de papel e celulose. No caso da Klabin, o endividamento aumentou por causa do investimento de US$ 4 bilhões na nova fábrica de Ortigueira, no Paraná, que começou a operar no último dia 4. A empresa perdeu R$ 1,2 bilhão em 2015, enquanto a Suzano teve prejuízo de R$ 925 milhões.

O analista Victor Suzaki, da Lerosa Investimentos, afirma que ambas as empresas têm bons resultados operacionais e estão relativamente “tranquilas”. “O ano passado foi bom para o mercado de celulose, com preços operando perto das máximas”, diz Suzaki.

 

 

 

Gerdau, Usiminas e Gerdau Metalúrgica viram seus lucros líquidos caírem R$ 4,5 bilhões, R$ 3,2 bilhões e R$ 2,3 bilhões, respectivamente, em 2015. Mais uma vez, a conjuntura pesou contra: há excesso de aço no mercado e também aumento da concorrência de produtores chineses.

As siderúrgicas vendem produtos de maior valor agregado e por preços maiores no mercado interno – sobretudo para a indústria automobilística e a construção civil –, mas a crise econômica teve um impacto negativo sobre as vendas no País. Lá fora, o problema é a falta de competitividade em relação aos preços oferecidos pelos chineses.

Exceções. Destoando do cenário de prejuízos recorde, Braskem e Companhia Siderúrgica Nacional apresentaram resultados favoráveis em 2015. Por usar nafta (derivado do petróleo) como combustível, a Braskem se beneficiou da queda das commodities. Além disso, boa parte da receita da petroquímica vem dos EUA e da Europa, o que fez a empresa ser beneficiada também pela alta do dólar e registrar lucro recorde de R$ 3,15 bilhões em 2015.

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