Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Ex-presidente da Caixa nega irregularidades em empréstimos ao grupo J&F

Maria Fernanda Ramos Coelho, que prestou depoimento a parlamentares na CPMI da JBS no Congresso, esteve à frente do banco de 2006 a 2011

Thiago Faria, O Estado de S.Paulo

10 Outubro 2017 | 12h15

BRASÍLIA - A ex-presidente da Caixa Econômica Federal Maria Fernanda Ramos Coelho negou nesta terça-feira, 10, irregularidades nos empréstimos feitos ao grupo J&F durante a sua gestão no banco, de 2006 a 2011. Maria Fernanda presta depoimento a parlamentares na CPMI da JBS no Congresso.

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"Os contratos passam por análise de riscos. Mesmo operações que se concedem em agências da Caixa têm uma análise de um comitê, ou seja, várias pessoas opinam", afirmou Maria Fernanda sobre as operações do banco com a empresa, que afirmou em delação premiada ter pago propina a mais de 1.800 políticos em troca de facilidades.

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O Tribunal de Contas da União (TCU) examina a regularidade de um empréstimo realizado pela Caixa à holding J&F. Em uma operação pouco usual no mercado brasileiro, o banco financiou em dezembro do ano passado 100% da compra das ações da Alpargatas que estavam nas mãos da Camargo Corrêa e foram passadas para a J&F Investimentos. O banco liberou R$ 2,7 bilhões em um empréstimo com prazo de pagamento de sete anos, sendo dois de carência, para o grupo da família Batista.

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Segundo Maria Fernanda, porém, houve três operações com o grupo no período em que esteve à frente do banco. No primeiro, em novembro de 2009, foi concedido um empréstimo de R$ 250 milhões. Outras duas operações, em novembro de 2010 e janeiro de 2011, foi concedido R$ 1 bilhão à empresa como capital de giro.

Maria Fernanda negou haver qualquer pressão em relação à concessão destes empréstimos por conta da proximidade com o período eleitoral. "Não houve qualquer demanda ou quaisquer contatos por parte da Fazenda ou do BNDES. A operação seguiu seu trâmite normal, pela superintendência regional", disse Maria Fernanda. "Em relação à análise documental, é importante dizer que esse valor foi aprovado no conselho diretor. E todos os contratos, operações e demandas de créditos, além das análises de risco, das avaliações, da reciprocidade da operação têm um parecer da área jurídica, que tem assento no conselho diretor, apesar de não ter voto."

A CPMI pretende ouvir ainda nesta terça-feira o ex-diretor do BNDES José Cláudio Rego Aranha, suspeito de favorecer a empresa no banco de fomento.

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