1. Usuário
Assine o Estadão
assine


Feijão ‘milagroso’ faz a fama de Lamim

Fernanda Yoneya, de O Estado de S. Paulo

09 Novembro 2011 | 09h 25

Município mineiro doa os grãos que vêm naturalmente com a imagem de uma pomba - o Divino Espírito Santo

O feijão que se vê na foto fez a fama da cidade mineira de Lamim, com pouco mais de 3 mil habitantes, localizado a cerca de 150 quilômetros de Belo Horizonte. Afinal, em Lamim surgiram, por volta de 1800, os primeiros grãos "pintados" com a imagem de uma pomba - símbolo do Divino Espírito Santo, padroeiro da cidade. De lá para cá, o "feijão milagroso", como é conhecido na região, foi passando de geração em geração e, hoje, serve de souvenir na tradicional Festa do Divino Espírito Santo de Lamim.

"Em 1801, como de costume, houve um sorteio para escolher quem faria a festa do padroeiro de Lamim. Só que o sorteado, um humilde agricultor, não tinha dinheiro para pagar as despesas. Alvo de críticas, prometeu que se sua plantação de feijão vingasse, pagaria a festa com o dinheiro da colheita. A colheita foi farta e alguns grãos estampavam a imagem do divino", conta o agricultor José Geraldo Reis e Silva. "Assim nasceu a lenda do feijão do Divino Espírito Santo."

José Geraldo diz que soube da lenda ainda na escola. Os avós lhe contaram a história e algumas sementes foram guardadas pelos pais do agricultor. A partir daí, resolveu pesquisar a história dos "grãos mágicos" até que encontrou na paróquia o livro [ITALIC]História de Lamim[/ITALIC], de 1899, de autoria do professor João Francisco Medeiros Duarte. "Foi aí que descobri a história desse agricultor que plantou o feijão do divino. Segundo o autor, a lenda do feijão é um dos fatos mais importantes da história de Lamim."

Carta à TV

A partir daí, José Geraldo passou buscar mais informações sobre o "feijão com a pomba". "Não achei nada parecido em lugar nenhum. Até que resolvi mandar uma carta para um programa de TV", diz José Geraldo, que também é professor. Aos 60 anos, aposentado, cuida de um sítio de 50 hectares, onde há cultivos de milho, feijão e cana-de-açúcar.

Foi depois de enviar a carta ao programa de TV que o feijão milagroso chamou a atenção da pesquisa. "Recebemos a visita de um pesquisador da própria Embrapa. Ele veio até Lamim para conhecer o feijão", lembra o agricultor, que até hoje planta, em uma pequena horta nos fundos de casa, o feijão do divino. "Não consigo colher grande quantidade do feijão milagroso, não mais do que 5 quilos, mas a maioria dos grãos que se desenvolvem vem com a imagem da pomba. Planto há mais de dez anos." Embora o feijão do divino sirva para consumo, os grãos "abençoados" são guardados para a festa do padroeiro, 50 dias depois da Páscoa. "Muitos devotos pedem alguns grãos para levar. Não vendemos, doamos."