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Brendan Mcdermid|Reuters

Fundos da Silverado vão ser liquidados

Parte do patrimônio de R$ 470 milhões dosfundos da gestora teria sido alvo de fraudes

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Josette Goulart, Cynthia Decloedt,
O Estado de S.Paulo

12 Março 2016 | 05h00

Os fundos de crédito da gestora de recursos paulista Silverado vão ser liquidados depois que investidores descobriram indícios de fraude na gestão. Os dois fundos, chamados Maximum e Maximum II, têm cerca de R$ 470 milhões em patrimônio. Parte deste montante estaria contaminada por duplicatas falsas – ou seja, por notas fiscais frias. O caso ainda será investigado para avaliar a extensão do dano, mas alguns investidores dizem esperar que a fraude não passe de 10% do valor total em carteira.

Alguns investidores estão considerando processar a Silverado, uma empresa de um veterano do mercado financeiro, Manoel Teixeira de Carvalho Neto. Isso porque ele teria usado empresas de fachada para “esquentar” notas fiscais. Firmas de investigação já estão atuando no caso e encontraram indícios de que recursos foram desviados para empresas de fora do País.

Uma outra hipótese levantada é que, em meio à crise de crédito, Carvalho Neto teria começado a usar empresas de sua propriedade para tentar encobrir rombos que começavam a aparecer no fundo por causa de empresas que vinham deixando de pagar empréstimos.

Ao esconder o rombo, o gestor possivelmente acreditava poder cobri-lo mais tarde, segundo pessoas próximas ao caso. No entanto, a agência de classificação de risco S&P retirou as notas de crédito do fundo em fevereiro. A decisão surpreendeu cotistas e administradores, precipitando a crise. Depois disso, Carvalho Neto sumiu.

A reputação do gestor teria sido o chamariz para atrair investidores importantes à Silverado, que chegou a ter cerca de R$ 750 milhões em carteira. Entre esses grandes aplicadores estão JP Morgan, BTG Pactual e Sul America Investimentos.

Desde o início do mês, porém, ninguém encontra Carvalho Neto, que deveria ter participado de uma assembleia de investidores nesta semana. O Estado procurou a Silverado. A telefonista informou que o gestor não estava naquele momento. A secretária do gestor ficou de retornar a ligação, o que não ocorreu.

Os administradores dos fundos – que, na prática, atuam como auditores – também não conseguem falar com Carvalho Neto. O banco BNY Mellon, que administra o fundo Maximum e tem mais de R$ 350 milhões, não quis comentar o caso.

Já a Gradual, do fundo Maximum II, informa que tem cerca de R$ 80 milhões em carteira e cerca de R$ 20 milhões em caixa, que começarão a ser distribuídos aos cotistas. A sócia da Gradual, Fernanda De Lima, diz que os investidores pessoas físicas serão os primeiros a receber.

Se a fraude atingir apenas 10% do patrimônio, o prejuízo ficará apenas para os cotistas subordinados, que são considerados donos dos fundos. Entre eles estão Carvalho Neto e investidores de grande porte.

A gestora Silverado também era dona de fundos que tinham duplicatas da Petrobrás, entregues por fornecedores da empresa, que já foram liquidadas.

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