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Furnas, Eletronorte e State Grid vencem leilão de transmissão de Belo Monte

Economia & Negócios e André Magnabosco, da Agência Estado - Atualizado às 14h39

07 Fevereiro 2014 | 10h 11

Consórcio ofereceu um deságio de 38% no preço 

SÃO PAULO - Com um deságio de 38%, o consórcio IE Belo Monte, formado pela chinesa State Grid (51% de participação) e pelas brasileiras Eletronorte (24,5%) e Furnas (24,5%), controladas pela Eletrobras, foi o vencedor do leilão da linha de transmissão de Belo Monte, realizado na manhã desta sexta-feira, 7, pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

O grupo ganhou a disputa ainda na primeira etapa do certame, com uma oferta de Receita Anual Permitida (RAP) de R$ 434,647 milhões, quantia 38% menor do que o valor máximo estabelecido pela Aneel, de R$ 701 milhões.

O chamado linhão de Belo Monte terá 2,1 mil quilômetros de extensão e será responsável por escoar a energia produzida pela usina para a região Sudeste. O projeto demandará investimento estimado em aproximadamente R$ 5 bilhões.

Venceria o leilão quem apresentasse o maior deságio, e com uma proposta agressiva o consórcio liderado pelos chineses saiu vencedor. Também participaram do certame o consórcio BMTE, formado por Taesa e Alupar, cada uma com 50% de participação, e a Abengoa. O grupo espanhol propôs uma RAP de R$ 620,423 milhões, com deságio de 11,4% em relação ao valor estabelecido pela Aneel, enquanto o BMTE ofereceu uma RAP de R$ 666,482 milhões, com deságio de 4,93%.

O lote leiloado nesta sexta é composto por duas subestações conversoras, instaladas no Pará e em Minas Gerais, e por linhas de transmissão que passarão pelos Estados do Pará, de Tocantins, de Goiás e de Minas Gerais, partindo de Xingu (PA) até o município mineiro de Estreito.

Este foi o primeiro leilão no qual se empregará a tecnologia de ultra-alta tensão em corrente contínua, que tem como principal benefício o baixo nível de perdas técnicas. A nova linha terá 800 kV de tensão, superior aos 765 kV do sistema de transmissão de Itaipu.

Taxa de retorno. O presidente da Eletrobras, José da Costa Neto, em entrevista coletiva, indicou que a taxa de retorno do projeto deve ficar em um dígito, mas perto dos 10%.

"Hoje nas condições do Brasil, por ser uma economia mais estruturada, as condições financeiras, as garantias, fazem com que dificilmente se trabalhe com dois dígitos", comentou.

Questionado se seria um dígito alto ou mais baixo, ele afirmou que também "não se pode trabalhar com um dígito tão baixo".

A parceria vitoriosa entre Eletrobras e State Grid desta sexta pode ser repetida em novas disputas, disse também Costa Neto. As companhias já estudam, por exemplo, montar um grupo semelhante para disputar a linha de transmissão Belo Monte-Nova Iguaçu (RJ), um projeto com características bastante similares ao leiloado nesta sexta-feira.

Segurança contra raios. Ainda de acordo com Costa Neto, o linhão de Belo Monte leiloado nesta setxa é mais seguro contra a incidência de raios do que outras linhas existentes no Brasil. Com 2,1 mil km de extensão, a linha tem como particularidade ser a primeira do Brasil com 800 kV de tensão, superior inclusive aos 765 kV do sistema de transmissão de Itaipu.

"Falamos de uma tensão muito mais elevada, de 800 kv, que é quase a tensão do raio. Por isso, ficamos mais protegidos", disse Carvalho. O executivo, contudo, evitou assegurar que a linha seja "à prova de raio".

Na terça-feira, 3, falhas em linhas de transmissão entre Tocantins e Goiás deixaram 6 milhões de pessoas sem luz em quatro regiões do País. A queda de um raio chegou a ser cogitada como a causa do incidente.

Sucesso. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) considerou um sucesso o leilão desta sexta. O diretor da agência, André Pepitone da Nóbrega, relator do edital deste leilão, considerou que o lance apresentado pelo grupo "representa um sinal de otimismo no momento atual".

Nóbrega não citou o momento de pessimismo do mercado com relação à economia do País, nem o baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas brasileiras ou o apagão que deixou 13 estados sem energia e alertou para potenciais falhas no sistema de transmissão, mas salientou que o leilão cumpriu com o seu objetivo, "que é permitir que grandes blocos de energia sejam escoados da região Norte do País para o centro de consumo".

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