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Gaúcha Comil investe em fábrica de ônibus urbanos em São Paulo

Cleide Silva, O Estado de S. Paulo

23 Julho 2012 | 22h 56

Terceira maior fabricante de ônibus do País vai erguer uma nova unidade em Lorena, no interior paulista, com investimentos de R$ 110 milhões 

A Comil, terceira maior produtora de ônibus do País, vai construir uma fábrica em Lorena (SP), no Vale do Paraíba, um investimento de R$ 110 milhões. O grupo, de capital 100% brasileiro, tem sede em Erechim (RS), onde produz veículos rodoviários, urbanos e micro-ônibus.

A nova unidade será exclusiva para ônibus urbanos e ficará pronta no segundo semestre de 2013. Deve gerar 500 empregos diretos e mil indiretos, segundo o diretor-geral da Comil, Silvio Calegaro. A capacidade de produção será de 20 veículos ao dia, a mesma da fábrica gaúcha.

Deoclécio Corradi, presidente do conselho da companhia, afirma que a produção dos urbanos será concentrada na nova fábrica, o que também abrirá espaço para ampliar as linhas de montagem dos demais produtos na fábrica de Erechim, que opera perto do limite da capacidade.

No ano passado, o grupo vendeu 4,1 mil ônibus, ante 3,6 mil em 2010. Para este ano, a previsão é de repetir os números de 2011, ou ficar um pouco abaixo. Assim como ocorreu no segmento de caminhões, a mudança da tecnologia dos motores para o chamado Euro 5 (menos poluente) também levou a uma antecipação de compra de ônibus por parte dos frotistas.

Calegaro diz que Lorena foi escolhida por estar próxima aos três maiores centros consumidores urbanos do País: São Paulo, Rio e Minas Gerais, que concentram 60% das vendas da marca. "Nossos maiores fornecedores também estão na região", diz. A empresa recebe chassis de empresas como Mercedes-Benz e MAN e produz as carrocerias.

A fábrica de Erechim, antes chamada de Incasel, foi adquirida em 1985 pela família Corradi e emprega cerca de 3 mil pessoas. O grupo faturou R$ 550 milhões em 2011, 25% com exportação.

O anúncio oficial da nova unidade será feito nesta terça-feira ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. O presidente da Investe São Paulo (agência de investimento do governo do governo do Estado), Luciano Almeida, lembra que São Paulo quase perdeu a fábrica para Minas Gerais, que chegou a anunciar o projeto.

Segundo ele, uma das razões de apresentar Lorena aos investidores é a estratégia de descentralização interna. A Comil será a maior empresa da cidade, cujo índice de desenvolvimento não está entre os maiores do Estado. "O impacto na economia local será grande."

Novos projetos. A Comil será a quarta fabricante de veículos a se instalar em São Paulo até o fim de 2013. Em 9 de agosto será inaugurada em Sorocaba a nova fábrica da japonesa Toyota - que já tem unidade em Indaiatuba. A filial vai produzir o compacto Etios e terá capacidade para 70 mil unidades ao ano. O investimento é de US$ 600 milhões e serão gerados 1,5 mil empregos.

Em setembro, a coreana Hyundai inicia a produção de sua primeira fábrica exclusiva no Brasil, em Piracicaba, embora a cerimônia de inauguração só vá ocorrer na primeira quinzena de novembro. Com capacidade para 150 mil unidades ao ano e investimento também de US$ 600 milhões, vai produzir inicialmente o compacto HB20. Já foram contratados 1,2 mil funcionários e até o fim do ano a meta é ter entre 1,8 mil e 2 mil trabalhadores.

No fim de 2013 também entrará em operação a linha de montagem da chinesa Chery, em Jacareí. O investimento é de US$ 400 milhões para uma capacidade inicial de 50 mil carros ao ano.

Almeida calcula que as novas fábricas e a ampliação das atuais, como a da Volkswagen, vão ajudar São Paulo a recuperar participação na produção nacional de veículos. "Devemos aumentar nossa participação para 48% a 50%." Hoje, o Estado, que nos anos 90 respondia por 74,8% da produção, participa com 42,4%.  

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