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Gerdau encerra 2015 com prejuízo de R$ 4,6 bilhões

Investimentos da siderúrgica, investigada na Operação Zelotes, deverão cair 35% em 2016, para R$ 1,5 bilhão

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Fernanda Guimarães,
O Estado de S. Paulo

15 Março 2016 | 11h04

SÃO PAULO - A Gerdau reportou um prejuízo líquido ajustado de R$ 3,17 bilhões no quarto trimestre de 2015, revertendo lucro de R$ 393 milhões no mesmo período de 2014. No ano a companhia reportou um prejuízo consolidado de R$ 4,596 bilhões, ante lucro de R$ 1,488 bilhão observado em 2014.

Segundo a siderúrgica, os investimentos neste ano deverão cair 35% em relação ao ano passado, para R$ 1,5 bilhão. Em 2015 a companhia investiu R$ 2,3 bilhões, estável na comparação ao investido no ano imediatamente anterior.  

"Nossas prioridades para 2016 seguirão sendo a geração de caixa livre, a restrição de novos investimentos e a redução de custos e da alavancagem financeira, considerando o desafiador cenário global do aço", disse, em nota enviada à imprensa, o diretor-presidente da Gerdau, André Gerdau Johanpetter. O executivo afirmou ainda que a companhia ajustou a sua produção no Brasil aos níveis de demanda do mercado, fortemente impactado pela crise econômica do País. 

O resultado de 2015 foi afetado por impairment, ou seja, perdas pela não recuperabilidade de ativos, que no quarto trimestre alcançaram R$ 3,129 bilhões. Desse total, a companhia explica que R$ 1,2 bilhão foi registrado como ágio na operação de negócios (ON) América do Norte, R$ 1,1 bilhão como ágio na de Aços Especiais e R$ 835 milhões no imobilizado da operação Brasil. 

"Especificamente na ON Brasil, as perdas foram resultantes dos efeitos da redução da demanda e das paradas de produção em algumas unidades da companhia, ocorridas ao longo de 2015 e que tiveram como objetivo a readequação da produção aos novos níveis de demanda", justifica o informe de resultados. Ao todo, no exercício de 2015, o impairment chegou a R$ 4,996 bilhões, ante R$ 339 milhões em 2014.

No critério ajustado, a Gerdau informou que seu prejuízo líquido foi de R$ 41 milhões no quarto trimestre do ano passado, ante lucro de R$ 95 milhões no mesmo período de 2014. No ano o lucro líquido ajustado foi de R$ 684 milhões, 42,5% menor que o lucro de 1,19 bilhão em 2014. 

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado atingiu R$ 911 milhões no último trimestre do ano passado, queda de 26,9% na relação anual. Em 2015, o Ebitda ajustado atingiu R$ 4,501 bilhões, queda de 8,3%.

A receita líquida, por sua vez, ficou em R$ 10,449 bilhões, recuo de 3,6% ante o quarto trimestre de 2014. No ano a receita somou R$ 43,581 bilhões, aumento de 2,4% em relação ao visto um ano antes. 

Operação Zelotes. Depois de ter seu nome envolvida na operação Zelotes, o que fez com que a empresa adiasse a divulgação de seu demonstrativo financeiro, a Gerdau destacou hoje, em seu balanço, que "sempre fez uso de escritórios externos visando ao mais adequado assessoramento de estrita natureza técnica", no âmbito dos processos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).  

A operação da Polícia Federal investiga supostas compras de decisões no Carf, órgão ligado ao Ministério da Fazenda que julga recursos de multas de grandes contribuintes aplicadas pela Receita Federal. No dia 25 de fevereiro, a PF esteve nas dependências da empresa. 

"Ao contrário do que tem sido cogitado no noticiário, não se trata de sonegação - declaração falsa ou omissão com a intenção de eximir-se de tributos eventualmente devidos - e sim do exercício legítimo de direito pelas empresas da Gerdau, respaldado expressamente nas leis e na jurisprudência", segundo o relatório que acompanha o demonstrativo financeiro da Gerdau, divulgado na manhã de hoje. 

A siderúrgica gaúcha dedicou um item no documento, chamado de "esclarecimentos Operação Zelotes", para tratar do assunto. A companhia frisou que os contratos com tais escritórios externos, como outros que a Gerdau possui com prestadores de serviços, "foram firmados com cláusula que determina absoluto respeito à legalidade, cujo descumprimento acarreta na imediata rescisão".

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