Washington Alves/Estadão
Washington Alves/Estadão

Gigante dos chips ainda é projeto

Unitec fatura R$ 4 milhões e tem 140 funcionários; previsão era de 500 vagas e receita de R$ 1 bilhão

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2017 | 05h00

O projeto da Unitec nasceu ambicioso. A antiga Six, que carregava o X característico de todas as empresas que formavam a EBX, império de Eike Batista, prometia ser a mais moderna fábrica de semicondutores do Hemisfério Sul e suprir boa parte da demanda nacional de um componente de alta tecnologia. Para tornar o negócio viável, a gigante IBM entrou como parceira por ser uma das líderes na área de semicondutores (os chips).

Hoje, a fábrica de Ribeirão das Neves, em Minas Gerais, está quase pronta, mas longe dos números e das operações previstas para a companhia. Dos 500 empregos estimados, a empresa conta com 140 funcionários – dos quais, 40% com mestrado e, boa parte, recrutada no exterior.

Com operação parcial desde o início do ano, a companhia apenas desenvolve o desenho e encapsulamento de circuitos integrados. Aguarda a injeção de novos recursos para desenvolver também os chips para atuar em segmentos como cidades inteligentes, internet das coisas, cartões e etiquetas inteligentes. O faturamento atual é estimado em R$ 4 milhões, mas o potencial projetado quando foi idealizada era atingir R$ 1 bilhão em receita. Os atuais acionistas sabem que essa meta vai ser difícil de ser alcançada no curto prazo.

À espera de R$ 200 milhões para operar a pleno vapor, a grande dúvida é quando esse aporte restante será feito e se todos os financiadores colocarão os recursos prometidos.

Do total da dívida contratada pela companhia (R$ 473,9 milhões), foram liberados, até o momento, R$ 364,1 milhões. Desse montante, R$ 173,1 milhões pelo BNDES, R$ 135,3 milhões pela Finep e R$ 55,7 milhões pelo BDMG. A soma desses valores, os R$ 364,1 milhões, é considerada dívida. Ainda restam ser liberados outros R$ 109,8 milhões: R$ 71,9 milhões da Finep, R$ 28,7 milhões do BNDES e R$ 9,2 milhões do BDMG.

Fontes a par do assunto afirmam que há negociações avançadas para a entrada de um sócio chinês. Se concluídas, a empresa não será mais 100% nacional, nem campeã. Mas, mesmo assim, todos os acionistas procurados pelo Estado estão confiantes de que o projeto sairá do papel em 2018.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não quis comentar sobre a entrada do futuro sócio. Eliane Lustosa, diretora da área de mercado de capitais do banco de fomento, afirmou apenas que uma “due dilligence” (auditoria) foi feita pelo potencial investidor e que só depende da conclusão da reestruturação societária para dar prosseguimento. Segundo ela, o BNDES já está pronto para liberar o financiamento restante. “É um projeto meritório. Estamos na fase do ‘last mile’ (última milha).”

Obstáculos. O primeiro obstáculo enfrentado pela Unitec foi a saída do ex-bilionário Eike Batista. Quando o Grupo EBX entrou em colapso, o empresário teve de vender boa parte dos seus ativos, entre eles a Six Participações, dona da Six Semicondutores, o nome original da Unitec. Em 2012, Eike havia injetado cerca de R$ 100 milhões no projeto, mas sua fatia por R$ 40 milhões para a Corporación América – dona da Inframérica, que detém participação na concessionária dos aeroportos de Brasília e Natal.

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Mais tarde, a crise econômica do País, que deixou o dólar mais caro, também dificultou a promessa de investimento na companhia.

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