Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Governo vai decretar intervenção da Oi se conselho demitir diretoria

Governo teria perdido a paciência com tele e tudo vai depender do que acontecer nesta sexta-feira, 27, em reunião de conselho

Anne Warth, O Estado de S.Paulo

26 Outubro 2017 | 15h17

BRASÍLIA - O governo perdeu a paciência e decidiu que vai decretar intervenção na companhia de telecomunicações OI caso o conselho de administração da empresa demita a diretoria executiva, segundo apurou o Estadão/Broadcast. O conselho vai se reunir nesta sexta-feira, 27, no Rio. A diretoria da Oi é formada por 12 diretores, entre eles o presidente da empresa, Marco Schroeder.

A reportagem apurou que o conselho diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) convocou o presidente de administração da Oi, José Mauro Mettrau Carneiro da Cunha, para dar ciência desse posicionamento.

O impasse entre o conselho e a diretoria da Oi chegou a níveis insustentáveis, na avaliação do governo. Na terça-feira, 24, o Estadão/Broadcast publicou reportagem segundo a qual o empresário Nelson Tanure teria pedido apoio do governo para destituir a diretoria da empresa. Por meio de nota oficial, Tanure negou essa intenção e classificou as informações como "boataria maldosa".

Na reunião desta quarta, o Conselho de Administração e a diretoria se desentenderam mais uma vez. O grupo de Nelson Tanure queria que a diretoria assinasse o contrato de suporte do plano (PSA), que formalizaria o apoio de um grupo de seis credores internacionais alinhados a Tanure ao plano de recuperação judicial da tele.

Além das garantias de participação no aumento de capital, o documento previa pagamento de comissões a esses detentores de títulos de dívidas antes mesmo da capitalização, o que consumiria caixa da empresa, comprometendo pagamento de dívidas e novos investimentos. Por essa razão, a diretoria se recusou a assinar o documento.

Na quarta-feira, o filho de Tanure, Nelson de Queiroz Sequeiros Tanure, esteve em Brasília e teve reuniões com autoridades da capital. Ele voltou a defender o plano protocolado pelo grupo na Justiça.

Para derrotar o plano de Tanure, o governo se uniu a um grupo de credores internacionais para elaborar um plano alternativo para a empresa. O grupo de trabalho, liderado pela Advocacia-Geral da União, é composto pelos bancos públicos, como BNDES, Banco do Brasil e Caixa, instituições financeiras privadas, credores internacionais representados por Moelis e G5/Evercore, além de ministérios e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

A empresa e o empresário Nelson Tanure estão sendo procurados pela reportagem para que possam se manifestar sobre o tema. 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.