Edgar Su/Reuters
Edgar Su/Reuters

Instabilidade no Brasil não será eterna, diz executivo da Airbus

Presidente da companhia para America Latina e Caribe, Rafael Alonso afirma que aviação é resistente a qualquer tipo de crise

Entrevista com

Rafael Alonso, presidente da Airbus America Latina e Caribe

Victor Aguiar, enviado especial, O Estado de S.Paulo

06 Junho 2017 | 16h16

CANCÚN - Apesar do cenário de turbulência econômica e instabilidade política verificada no Brasil, o mercado de aviação é resistente a crises e, desta maneira, é necessário ter uma visão de longo prazo em relação ao País. A afirmação é do presidente da Airbus America Latina e Caribe, Rafael Alonso.

Em entrevista ao Estadão/Broadcast, ele se disse confortável com Azul, Avianca Brasil e Latam, as três companhias aéreas nacionais que utilizam aviões Airbus, afirmando que a empresa está aberta a novos consumidores que possam surgir na região.

Alonso está em Cancún para a 73ª Assembleia Geral da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês). Leia a seguir os principais trechos da entrevista:

O atual panorama brasileiro, com instabilidades tanto na política quanto na economia, pode afetar os planos da Airbus para o Brasil, uma vez que as companhias aéreas têm enfrentado dificuldades nos últimos anos?

A aviação é resistente a qualquer tipo de crise. As pessoas precisam visitar suas famílias, sair de férias, viajar a negócios e a lazer. O que podemos notar, com nossa experiência, é que, independente de qualquer coisa, apesar da crise que vivemos no mundo todo, a aviação continuou a crescer.

É verdade que, em alguns momentos, em casos específicos, houve uma desaceleração, como no caso do crescimento no número de passageiros no Brasil, em que houve alguma desaceleração, mas isso é recuperável mais tarde, quando a crise acabar. A crise no Brasil não vai durar para sempre. Há problemas no momento. Eu estava vendo na TV, há turbulência com o governo Michel Temer. Mas vemos um futuro com perspectivas melhores.

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O que a Airbus vê nos próximos 10 a 20 anos na América Latina, em termos de demanda de aeronaves? Quais os planos para a região? 

Até agora, temos ido muito bem na América Latina. No momento, temos mais de 1 mil aeronaves vendidas, quase 650 aviões em operação e mais de 400 aeronaves a serem entregues nos próximos anos. Então, estamos bem estabelecidos na região.

Olhando para o futuro, o que vemos é que há demanda para mais de 2,5 mil aviões em toda a região ao longo dos próximos 20 anos. Considerando que temos, agora, uma base de mercado muito boa, esperamos continuar sendo os líderes de mercado.

No Brasil, a Azul, a Latam e a Avianca Brasil usam aeronaves Airbus. Vocês planejam expandir também para a Gol? Na América Latina, há conversas com outras companhias? 

No caso do Brasil, temos três consumidores muito bons, com um futuro muito promissor, e estamos muito confortáveis com as três empresas. Não temos a Gol como um consumidor, e não acho que teremos num futuro próximo.

Na América Latina, novamente, estamos muito bem estabelecidos, com 21 clientes na região. Há potencial para novos negócios na área, e estamos falando com todas as possibilidades. É parte do nosso trabalho assegurar que o potenciais consumidores ou qualquer novo entrante na indústria saiba que temos o produto certo para eles.

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Novos competidores entraram no segmento de aviação comercial nos últimos meses, principalmente empresas asiáticas. Eles representam um risco para as atividades da Airbus na América Latina? 

Nós damos boas vindas à competição. É bom para nós, pois nos torna melhores, é bom para a indústria, é bom para o passageiro. Eu não acho que todos vão sobreviver, há muitas empresas no mercado, mas algumas delas podem se tornar players no futuro. Temos a Boeing e a Airbus bem estabelecidas no mundo, então não vai ser fácil para eles.

A Airbus vai inaugurar nesta quinta-feira (8) um novo centro de treinamento no Brasil, em parceria com a Azul. O que se pode esperar dessa nova instalação? 

Vamos esperar até quinta-feira para dar as notícias [risos]. Mas, o que eu posso dizer é: a Airbus identificou que há uma necessidade importante de pilotos na região. Na América Latina, há uma demanda por mais de 4 mil pilotos nos próximos 20 anos. Então, queremos estar próximos aos consumidores. Decidimos dedicar esforços aos centros de treinamento, e é por isso que abrimos um centro de treinamento no México. Estamos discutindo outras áreas, e na quinta-feira vamos inaugurar esse simulador com a Azul.

Há planos para a abertura de outras instalações ou investimentos no Brasil?

No Brasil, temos a Helibras, que produz helicópteros. Então, creio que já detemos uma presença forte no País, mas sim, dependendo da situação da economia, estamos abertos a aumentar essa presença. É um país importante na região, o maior em termos de aviação. 

*O jornalista viaja a convite da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês)

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