Paulo Whitaker/Estadão
Paulo Whitaker/Estadão

JBS Couros demite mais de 500 no interior de SP e MG

Companhia alega que problemas de mercado a obrigaram a fazer um ajuste na linha de produção

Rene Moreira, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

17 Outubro 2017 | 18h20

A JBS Couros dispensou mais de 500 funcionários de suas unidades em Lins (SP) e Uberlândia (MG). O motivo, segundo a empresa, são problemas de mercado que a obrigaram a fazer um ajuste na linha de produção.

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Com sua produção direcionada para os segmentos automotivo, de mobília, calçados e acessórios, a JBS Couros dispensou na semana passada 300 dos 900 funcionários de sua unidade na cidade paulista de Lins, segundo o Sindicato dos Coureiros da Região.

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Sindicalistas contaram ter se reunido com a diretoria da empresa para tentar impedir os cortes, mas não obtiveram êxito. O motivo alegado pela JBS seria a queda nas vendas, que teria ficado evidente em uma feira realizada na China, onde a companhia não conseguiu fechar nenhum negócio.

Já em Uberlândia, na região do Triângulo Mineiro, foram para a rua 242 trabalhadores, do total de 631 que atuavam na unidade. Os contratos de trabalho começaram a ser rescindidos nesta semana e o motivo alegado ao pessoal, nesse caso, seria a redução nas vendas para o Vietnã, que teria deixado de comprar o couro brasileiro em razão do preço e da distância entre os dos países.

Nesta terça-feira, 17, foi o segundo dia de rescisões, o que continuará ocorrendo até o dia 25 deste mês. Os demitidos terão como bônus um valor adicional de R$ 1.200 sobre a rescisão e direito a receber a cesta básica até janeiro de 2018.

"Não é um bom acordo, mas foi o melhor que conseguimos após muita discussão e insistência", contou Nilton Satil Parreira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Artefatos e Curtimento de Couro de Minas Gerais. Segundo ele, a demissão em massa causa um impacto enorme para a categoria.

Parreira não acredita em problemas de mercado para as dispensas. "Na nossa ótica o motivo não é este", afirmou. Para ele, a questão tem relação com a prisão dos donos da empresa. "A causa disso tudo é o que está acontecendo no país, tudo o que estamos assistindo na política".

Ajustes. Em nota encaminhada ao Estado a companhia manteve a versão de que os cortes estão ligados à redução dos negócios na área.  E confirmou que foram encerrados turnos de trabalho nas unidades de Lins e Uberlândia.

"A medida foi tomada a fim de ajustar a demanda de produção às questões de mercado", declarou. A companhia alegou ainda que "trabalha para absorver os colaboradores demitidos em outros negócios da JBS".

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