Lebre europeia causa prejuízos em lavouras de SP

Animal é exótico, mas sua caça é proibida por lei ambiental; produtores reclamam de ataque a plantações no sudoeste

José Maria Tomazela, de O Estado de S.Paulo,

13 Abril 2011 | 17h21

A lebre europeia, conhecida como lebrão, está devastando lavouras no Estado de São Paulo e se transformou em problema não só para agricultores, mas para órgãos de pesquisa agrícola. Prejuízos causados pela voracidade do animal, que não pertence à fauna brasileira, mas é protegido pela legislação ambiental, foram relatados em todas as regiões do Estado, à exceção do Vale do Ribeira e do Vale do Paraíba. A situação é tão grave que a Secretaria de Agricultura paulista vai pedir à Secretaria do Meio Ambiente a adoção de medidas para o controle da espécie.

Na Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento (UPD) da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) em São Roque, lavouras experimentais de legumes e hortaliças foram destruídas por esses roedores. Segundo o chefe da UPD, Wilson Tivelli, os primeiros exemplares surgiram em julho do ano passado. "Não passavam de dois ou três, mas este ano a população aumentou tanto que já não conseguimos colher repolho, couve-flor, brócolis, alface e nem mesmo os adubos verdes, pois tudo é devorado pelos lebrões." Ele conta que tentou conviver com os lebrões usando espantalhos e repelentes à base de pimentas e cabelo humano, mas o efeito foi temporário e não evitou danos econômicos.

Apesar de a espécie ser exótica, ela não pode ser caçada, apreendida ou perturbada de qualquer forma no meio ambiente. "Procuramos a Polícia Ambiental, o Ibama e a Secretaria do Meio Ambiente para encontrar uma solução e, para nossa surpresa, dois dos três órgãos nos informaram que desconhecem os danos causados pelo lebrão, pois nunca foi reportado problema." Tivelli conseguiu despertar o interesse do Centro de Fauna Silvestre da Secretaria do Meio Ambiente para o problema. Comprovados os danos, o centro pode obter do Ibama permissão para controle do lebrão.

Frutas. Para isso, pediu a outras unidades da Secretaria da Agricultura que obtivessem relatos de produtores. O resultado foi surpreendente, segundo Tivelli. "Descobrimos que o lebrão já se espalhou por grande parte do Estado e vem trazendo grandes prejuízos, inclusive para produtores de frutas." Em Sarapuí e Capela do Alto produtores estão abandonando o cultivo de melancia. "Os animais danificam as plantas e as frutas." Em São Manoel um paulistano que plantava maracujá desistiu e voltou para a capital. Em Itápolis os lebrões devoraram mudas de laranja. Em alguns pomares novos, 40% da área teve de ser replantada.

A maior concentração foi observada nas regiões de Sorocaba (Piedade, Pilar do Sul e São Miguel Arcanjo), com tradição em hortaliças e legumes, e no Pontal do Paranapanema, onde áreas de abóbora foram dizimadas. Tivelli vai encaminhar os relatórios à secretaria e ao Ministério Público Estadual com um pedido de providências. "Pode ser o manejo da espécie ou o controle da reprodução. O caminho é longo, mas é preciso fazer alguma coisa." Ele conta que, em áreas pequenas, é possível fazer a proteção das hortas e lavouras com telas. "Nas áreas maiores isso é inviável, pois só o custo do material é de R$ 3,60/metro linear." No dia 28, o problema será levado a uma reunião do setor orgânico do Ministério da Agricultura.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.