Epitácio Pessoa/Estadão
Epitácio Pessoa/Estadão

Brasil já representa 26% do lucro global do banco Santander

Resultado da operação no País subiu quase 30% no 2º trimestre e analistas veem chance de instituição superar projeções para o ano

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

28 Julho 2017 | 08h58

O Santander Brasil registrou no segundo trimestre de 2017 o melhor resultado desde que chegou ao País, em 2000, após a compra do Banespa. O banco teve lucro líquido gerencial de R$ 2,335 bilhões no período, resultado 29,3% maior do que o registrado um ano antes, de R$ 1,806 bilhão.

No semestre, o desempenho permitiu um salto da participação brasileira nos resultados globais do grupo, que foi a 26% ao fim de junho, contra 21% no término do ano passado. Além de consolidar sua liderança na geração de lucro do banco espanhol, o resultado também chancela a gestão de Sérgio Rial, há um ano e meio no comando do Santander Brasil.

Embora as ações do banco tenham fechado em queda de 1,8% na B3 – nova denominação da Bolsa paulista –, o resultado do segundo trimestre foi bem recebido por analistas. Os números vieram em linha com as projeções, que já eram otimistas, e podem desencadear uma revisão nas expectativas do mercado. Em relatório, os analistas Wesley Bernabé, Carlos Daltozo e Kamila Oliveira, da BB Investimentos, admitem que as projeções atuais, de lucro líquido de R$ 8,6 bilhões, parecem conservadoras, pois o banco entregou R$ 4,6 bilhões na primeira metade do ano.

“A mudança na estratégia do banco nos últimos anos e o foco no crescimento sustentável destacaram a performance do Santander Brasil em relação aos seus pares privados. Foi o banco que menos sofreu com o ambiente recessivo macroeconômico no Brasil”, avaliam.

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Rentabilidade. Um dos principais indicadores que reforça a virada de página do Santander no Brasil é a rentabilidade do banco. A instituição teve retorno sobre o patrimônio líquido médio de 15,8% no segundo trimestre. Apesar da leve queda ante o primeiro trimestre, o dado manteve-se acima da meta para o fim de 2018, de 15,6%.

Para Eduardo Rosman e Thiago Kapulskis, do BTG Pactual, o Santander está no caminho para alcançar o retorno de seus concorrentes privados, como Itaú e Bradesco.

O Santander Brasil também agradou aos analistas por conta da qualidade dos ativos, com a inadimplência estável e os gastos com calotes em queda.

Do lado do crédito, o banco manteve empréstimos estáveis enquanto seus pares seguem encolhendo a oferta de recursos. A carteira ampliada do Santander Brasil alcançou R$ 324,94 bilhões ao fim de junho, cifra 0,1% menor que a registrada em março. Na comparação anual, no entanto, a carteira teve expansão de 5,4%.

O Santander também segue ganhando participação em determinadas linhas de crédito e alguns mercados. Um deles é o setor de captação de pagamentos de cartões, por meio da GetNet, no qual briga com Cielo, de Bradesco e Banco do Brasil, e Rede, do Itaú Unibanco. A companhia hoje é a terceira colocada neste segmento.

A expectativa do banco é que sua participação no setor fique em 11,4% no trimestre. Depois de a GetNet ultrapassar os 10% de participação, o Santander briga para elevar sua fatia para 15%. / COLABOROU CÉLIA FROUFE, CORRESPONDENTE EM LONDRES

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