Mundo - Versão 4.0

O que fazer agora que a Quarta Revolução Industrial está chegando?

O Estado de S.Paulo

17 Novembro 2016 | 07h00

Pouco depois da metade do século XVIII, o mundo passou pela Primeira Revolução Industrial, na qual a produção de bens deixou de ser artesanal para ser realizada por máquinas em fábricas com extenso uso de energia a vapor. Cerca de cem anos depois, em 1870, foi a vez da Segunda Revolução Industrial, com a popularização da eletricidade e a criação das linhas de montagem e divisão de tarefas. Novamente, cerca de um século se passou e a Terceira Revolução Industrial, também chamada de Revolução Digital, varreu o planeta. 

 

Todos esses movimentos trouxeram implicações fundamentais nas formas de interação entre os diversos elementos das cadeias produtivas, impactando não apenas a economia, mas também a sociedade, política, filosofia, cultura e ciência. Essas revoluções moldaram a forma como o mundo está estruturado e criaram questões e desafios únicos para as gerações futuras. 

 

Agora, menos de meio século depois da Terceira Revolução Industrial, estamos entrando no que certamente será mais um processo que irá modificar definitivamente a forma de fazer negócios, produzir bens, interagir com esses bens e interagir uns com os outros: a Quarta Revolução Industrial. O termo já vem sendo utilizado há algum tempo e contempla as novas tecnologias que estão permitindo que elementos antes confinados às histórias de ficção científica façam parte do futuro próximo: integração entre sistemas artificiais e biológicos, desenvolvimento de técnicas de aprendizado para máquinas, integração e comunicação entre equipamentos, extensão da realidade física com a realidade virtual. 

 

Essa nova etapa do progresso científico beneficia-se diretamente da popularização, ao longo das últimas décadas, de elementos que rapidamente tornaram-se comuns no dia a dia de milhões de pessoas: computadores pessoais, internet, aparelhos celulares, tablets, armazenamento praticamente ilimitado de dados em diversos formatos (textos, sons, imagens, vídeos). E uma das principais questões que se colocam é: como podemos nos preparar para esse novo mundo? Como avanços em nanotecnologia, biotecnologia, geração e transmissão de energia, inteligência artificial, computação quântica, novos materiais, telecomunicações, robótica, internet das coisas, impressão tridimensional e veículos autônomos, apenas para citar algumas das verticais em pleno desenvolvimento, podem nos impactar? 

 

"A História não se repete, mas ela rima" é a forma que supostamente Mark Twain achou para definir como usar o passado para tentar antecipar o futuro. Se acreditarmos nisso, então vamos observar ao longo das próximas décadas mudanças extraordinárias. Do Direito à Engenharia, da Medicina ao Jornalismo, do Design à Arquitetura, do Entretenimento à Manufatura, da Economia à Educação, nenhum campo do conhecimento ficará imune às transformações nos processos, modelos, implementações, métodos e resultados. 

 

Novas carreiras, empregos, empresas e impérios serão criados. Outros tantos irão simplesmente desaparecer ou evoluir para algo totalmente diferente. O fato é que o mundo irá acelerar ainda mais as transformações pelas quais já vem passando, tornando fundamental que estejamos prontos e posicionados para isso em todos os aspectos - e é isso que iremos discutir aqui. 

 

O que são essas novas tecnologias? Como elas irão impactar nossas vidas, nossos empregos, nossas moradias e nossas relações? Como governos, marcas, indústrias e serviços irão reagir? Como aproveitar as oportunidades que vão se apresentar e evitar a obsolecência? Vamos explorar esses temas e muitos outros nesse espaço. Seja muito bem-vindo(a).

 

 *Investidor em novas tecnologias, é Engenheiro de Computação e Mestre em Inteligência Artificial

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