Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Neoenergia e Elektro fazem fusão e criam empresa de R$ 20 bi

Nova companhia tem o grupo espanhol Iberdrola como acionista comum e pretende abrir capital na Bolsa

Mônica Scaramuzzo, Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

07 Junho 2017 | 14h41

As companhias de energia Neoenergia e Elektro vão fazer uma fusão de seus negócios, conforme antecipou o 'Estado' em abril. A nova empresa que será formada a partir da combinação dos ativos das duas, que tem o grupo espanhol Iberdrola como acionista comum, pretende nos próximos meses abrir o capital, segundo fontes a par do assunto. A fusão criará uma companhia com faturamento próximo de R$ 20 bilhões.

As negociações começaram nos últimos meses, quando os principais acionistas das companhias sentaram novamente para discutir a união dos negócios. A Neoenergia ainda tem como sócios a Previ (Fundo de Pensão do Banco do Brasil) e o Banco do Brasil. Fontes a par do assuntos afirmaram que tanto o fundo de pensão como o BB pretendem aos poucos sair do negócio, após a nova empresa ir à Bolsa.

Pessoas familiarizadas com o assunto afirmaram que o grupo Iberdrola tentou alinhar a união das duas empresas em 2011, quando adquiriu o controle da Elektro, mas as conversas não avançaram. À época, o grupo desembolsou US$ 2,4 bilhões pelo ativo.

RELEMBRE: Acionistas da Neoenergia negociam fusão da empresa com a Elektro

A fusão entre as duas empresas sempre foi vista como um caminho natural, uma vez que o grupo Iberdrola é acionista comum das companhias. Neste ano, o grupo Iberdrola fechou o escritório no Rio de Janeiro e todas as decisões da empresa estão sendo tomadas na Elektro, que fica em Campinas, no interior de São Paulo, o que já indicava uma movimentação do grupo espanhol de que a fusão estava em curso.

Além de três distribuidoras que abastecem 770 municípios nos Estados da Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Norte, a Neoenergia detém 50% de participação na Hidrelétrica Teles Pires, de 1,8 mil megawatts (MW), e 10% em Belo Monte, de 11 mil MW. No ano passado, o grupo faturou R$ 14,8 bilhões. 

Já a Elektro encerrou o ano com receita líquida de R$ 4,7 bilhões. A empresa detém uma concessionária de energia que abastece 223 municípios paulistas e cinco cidades do Mato Grosso do Sul. "A Elektro tem uma qualidade muito boa e pode melhorar o perfil dessa nova empresa", afirma o presidente da Thymos Energia, João Carlos Mello. 

Endividada, a fusão com a Elektro ajuda a situação financeira da Neoenergia, segundo fontes. A fusão entre as duas companhias também é vista como a porta de saída do Banco do Brasil do negócio. O banco já tinha sinalizado que não pretendia ficar em setores que não faziam parte do seu principal negócio. No caso da Previ (que soma fatia de 49%, incluindo um dos fundos de investimento), eles serão diluídos e podem sair de uma vez, em um futuro IPO, disse outra fonte ao Estado.

No passado, a Iberdrola tentou comprar o controle da Neoenergia, mas as negociações não avançaram por entraves com os sócios. Por volta de 2012, os espanhóis mudaram de estratégia e colocaram sua parte à venda na empresa. Chegaram a ter boas propostas de investidores chineses, como a State Grid, mas não fecharam um acordo por causa da interferência do governo federal, que não queria o avanço dos asiáticos na área de energia (hoje, numa das piores crises da história do País, os chineses têm comprado vários ativos no setor). Procuradas, Neoenergia e Elektro não comentaram o assunto.

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