Paulo Vitor/Estadão - 17/6/2010
Paulo Vitor/Estadão - 17/6/2010

Nova versão do plano de reestruturação da Oi ainda é dura para credores, diz BTG

Analistas do setor de telecomunicações do banco destacam que a Oi precisará de apoio de credores fornecedores, trabalhadores e financeiros; em relação a esse último grupo pairam dúvidas quanto ao nível de adesão

Circe Bonatelli e Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

13 Outubro 2017 | 16h33

O BTG Pactual classificou a versão revisada do plano de reestruturação da Oi como ainda dura para os credores da operadora, que terão vencimentos de suas dívidas amplamente expandidos, taxas de juros inferiores às de mercado em alguns casos e grande haircut (corte) nas dívidas dos bondholders.

Analistas do setor de telecomunicações do banco destacam que para que o plano seja aprovado na assembleia de credores do dia 23, a Oi precisará de apoio de credores fornecedores, trabalhadores e financeiros. Em relação a esse último grupo, porém, pairam dúvidas quanto ao nível de adesão.

"Esperamos que o plano seja aprovado pelos fornecedores e pelos trabalhadores. No entanto, para que a Justiça aprove a reestruturação, um grande número de credores financeiros - que detém R$ 65 bilhões em dívida agregada - também deve aprovar o plano", diz o documento assinado pelos analistas Carlos Sequeira e Bernardo Teixeira.

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A análise do BTG é que deve haver aprovação de boa parte do grupo formado por BNDES e bancos, detentores de 26% da dívida total, cerca de R$ 16,9 bilhões em créditos a receber. 

Os analistas lembram que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), detentora de cerca de 17% dos créditos financeiros, declarou diversas vezes que votará contra o plano, uma vez que não concorda em ter seus créditos incluídos na recuperação judicial. Se isso se confirmar, destacam, mais bondholders terão que votar a favor do plano para que ele seja aprovado.

Alerta. "E embora o plano pareça mais robusto agora (pelo menos há perspectivas de dinheiro novo chegando), não temos certeza sobre como os detentores de títulos irão encará-lo. Além disso, não está claro para nós o que seria o porcentual de aprovação dos credores financeiros necessário para que a Justiça aprove a reorganização", alerta o relatório.

Pelas contas da equipe de análise do BTG, o plano oferece aos bondholders a troca de R$ 32,3 bilhões em dívidas por R$ 8,8 bilhões em novos títulos (R$ 5,8 bilhões) e debêntures conversíveis (R$ 3 bilhões), o que implica em um haircut de cerca de 73%.

No início da tarde desta sexta-feira, 13, os maiores comitês de credores da companhia se manifestaram contra as propostas, colocando em risco a viabilidade da aprovação de um acordo na assembleia agendada para o dia 23. 

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A nota foi distribuída à imprensa conjuntamente pelos dois grandes grupos detentores de títulos (bondholders) da Oi, representados pelas consultoria G5/Evercore e pela Moelis & Company, apoiados pela FTI Consulting. 

Juntos, eles concentram dívidas de R$ 22 bilhões da Oi. O processo de recuperação judicial da tele totaliza dívidas de R$ 65 bilhões. 

Moderado. A equipe de análise do setor de telecomunicações do Credit Suisse adotou um tom mais moderado sobre o plano de recuperação judicial divulgado na noite de quarta-feira, 11, pela Oi, apesar da euforia do mercado financeiro ao longo do dia.

"Se o plano for aprovado como está, ele implicará em um relevante ganho para as  ações em comparação com o preço atual. Por outro lado, acreditamos que os termos do plano ainda estão longe do desejado pelos bondholders", afirmam os analistas Daniel Federle e Felipe Cheng, em relatório distribuído nesta sexta-feira, 13, a clientes.

Pelos cálculos dos analistas, a proposta da Oi para os bondholders representa um corte de 82% na dívida, se considerada a proposta de troca desses passivos por debêntures conversíveis em 25% das ações da companhia.

Os profissionais do Credit Suisse lembram ainda que o processo de recuperação judicial envolve credores como a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o que aumenta ainda mais a complexidade para se chegar a um entendimento.

Às 13h05, a Oi subia 20,30% (PN) e 10,7% (ON), após entrarem em leilão pela manhã. O arquivamento do plano na 7ª Vara de Recuperações e Falências do Rio de Janeiro afastou momentaneamente a preocupação de investidores sobre a capacidade da empresa em costurar um plano dentro dos prazos legais.

Por outro lado, começa agora uma queda de braço para a aprovação do plano na assembleia agendada para o dia 23 de outubro. Nesta sexta-feira, 13, os maiores grupos de bondholders já se manifestaram contra a proposta.

 

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