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O potencial da mandioca para fabricação de etanol

Agencia Estado

20 Outubro 2006 | 12h 07

O Brasil é o maior e, o mais eficiente, produtor de álcool de cana-de-açúcar do Mundo. Sua produção em escala teve início nos anos 70, com o programa denominado Proálcool, com forte apoio governamental. Neste período, o Mundo passou por várias crises de petróleo, e o setor canavieiro também, mas conseguimos superá-las. Hoje estamos começando a colher estes frutos, entrando em agências de automóveis para comprar automóveis bicombustível. Aparentemente, somos os únicos no mundo com esta tecnologia; senão, os únicos. Além desta vantagem, ainda podemos ter o privilégio e o orgulho de afirmar que poluímos menos o ambiente. Quando do início Proálcool, a mandioca também foi incluída neste programa. Porém, foram instaladas algumas indústrias de produção de álcool de mandioca, em regiões não tradicionais, ou em fim de ciclo do pólo mandioqueiro, o que fez com que o empreendimento se tornasse inviável. Entre os exemplos estão os municípios de Curvelo-MG, onde jamais uma indústria desta seria viável; Sinop-MT; e, o sertão da Bahia, que apresenta solo semelhante a áreas desérticas. Houve, também, instalação de duas usinas em Santa Catarina, em áreas que foram consideradas pólos mandioqueiros dos anos 50, mas que, no início dos anos 80, perderam essa condição, com a transferência de indústrias para os Estados do Paraná e Mato Grosso do Sul. Foi instalada outra usina, ainda, no interior de São Paulo, a única ainda em operação. Como podemos analisar, a mandioca naquela época, e até hoje, ficou de fora desse processo, apesar de ser uma matéria-prima de excelência para a produção de álcool. A mandioca é produzida em todos os Estados do Brasil, tem baixos custos, é uma cultura de poucos riscos, baixos investimentos, além de ser um produto, genuinamente, brasileiro. Para se construir uma usina de álcool de cana-de-açúcar, com capacidade de moagem anual de um milhão de toneladas de cana, faz-se um investimento na ordem de R$ 130 milhões a R$ 140 milhões, se incluído neste valor o parque industrial e a parte agrícola. Esta moagem ocorre num período de seis a sete meses por ano, com produção estimada de 85 milhões de litros de álcool, necessitando-se de área agrícola de cerca de 13 mil hectares de terra, considerando-se produtividade, média, de 77 toneladas por hectare. Para se construir uma usina de álcool de mandioca com capacidade de moagem anual de 300 mil toneladas de mandioca é necessário investimento na ordem de R$ 25 milhões, incluindo-se neste valor o parque industrial, de, aproximadamente, R$ 20 milhões, e mais R$ 5 milhões no plantio de mandioca, no sistema de parceria com contrato, plantando-se variedades adequadas, para serem colhidas em épocas diferentes do ano. Hoje temos estas variedades e podemos estimar produção na ordem de 60 milhões de litros de álcool, pois podemos extrair até 200 litros de álcool por tonelada de mandioca, necessitando, para isto, área de 10 mil a 11 mil hectares de terra, com produtividade na ordem de 28 toneladas por hectare. Como se pode analisar, com o valor do investimento de uma usina para moagem de um milhão de toneladas de cana por ano é possível se montar cinco usinas de mandioca, beneficiando-se, mais de 1.100 produtores de mandioca, e gerando-se benefícios para mais de 13 mil pessoas, durante 300 dias úteis por ano, com produção de 300 milhões de litros de álcool. Isto favoreceria não somente as pessoas, mas o País, enquanto que o projeto de uma usina de álcool de cana, como a relatada acima, traz benefícios bem menores. A partir dessa análise, pode-se afirmar que a mandioca é uma cultura com grande potencial de distribuição de renda, enquanto a cana é concentradora de renda. Esta análise não objetiva mostrar contrariedade à cana-de-açúcar, mas sim, chamar atenção da sociedade, de grupos de investidores, autoridades para que analisem estes dados, tanto sob o aspecto da viabilidade econômica e social, visando se incluir a mandioca nos próximos projetos para a produção de álcool, como também para atender o mercado interno e externo, pois o Mundo quer, e precisa, do nosso álcool. O álcool de mandioca pode ser de tubérculo, álcool C3 (livre de traços de etanol), próprio para bebidas, produtos farmacêuticos, perfumaria, etc. Ao contrário da cana-de-açúcar, que é C4, que contém traços de etanol.

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