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Economia

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Oi espera encontrar solução para dívida de R$ 55 bi ainda em 2016

Empresa, que pode recorrer a fundos abutres e teve notas de crédito rebaixadas, tenta renegociar débitos

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Mariana Sallowicz,
O Estado de S.Paulo

29 Março 2016 | 08h28

Em meio a uma situação financeira delicada, com uma dívida bruta de R$ 54,9 bilhões em 2015, a operadora de telefonia Oi espera resolver a questão de sua estrutura de capital este ano. Para tentar reverter o cenário negativo, a companhia contratou as companhias americanas PJT Partners para fazer reestruturação financeira e a D.F. King para dar início às negociações de suas dívidas com os credores internacionais.

O Estado apurou que a companhia tem sido assediada por fundos abutres americanos, especializados em empresas com problemas financeiros, que devem adquirir parte da dívida da Oi com alto desconto. “Não há acordo oficial ainda para a entrada desses fundos. Há propostas ainda que serão colocadas à mesa”, disse uma fonte com conhecimento no assunto.

A tele, que já teve a sua nota de crédito rebaixada pelas agências de classificação de risco neste ano, corre contra o tempo para evitar um pedido de recuperação judicial. Na semana passada, divulgou um prejuízo de R$ 5,35 bilhões em 2015 e encerrou o ano com dívida líquida de R$ 38,15 bilhões. Em fevereiro, o fundo russo LetterOne (L1), do bilionário russo Mikhail Fridman, desistiu de fazer a injeção de capital de até US$ 4 bilhões. Esse aporte estava condicionado à possibilidade de fusão com a TIM Brasil, que pertence à italiana Telecom Itália. A fusão foi descartada pela antiga gestão da dona da TIM.

Retomada. Em meio à crise, os executivos seguem tocando o dia a dia do negócio.< “Temos certeza que neste ano vamos endereçar o tema da estrutura de capital da companhia”, disse <IP10>Bayard Gontijo, presidente da Oi, que participou ontem do lançamento da nova marca da Oi e um novo pacote de produtos da operadora, o Oi Total, que integra os serviços móvel, banda larga, TV por assinatura e telefone fixo.

Segundo o executivo, é necessário “tocar o dia a dia” da companhia, “mirando aonde a gente quer chegar, independente da estrutura de capital, que será resolvida neste ano”. Bayard, que deixou o evento sem dar entrevista, não deu detalhes sobre como o processo de reestruturação ocorrerá. 

O diretor de varejo da Oi, Bernardo Winik, afirmou no evento que a companhia também espera uma “retomada comercial” em 2016. O lançamento do Oi Total faz parte desse processo. A expectativa é chegar a 1 milhão de clientes do produto até o fim do ano – atualmente a empresa tem 130 mil clientes do Oi Total, lançado em algumas localidades de forma piloto no ano passado. 

Winik destacou que a tele iniciou em 2015 um processo de renovação do seu portfólio. O Oi Total marca a conclusão desse movimento. /Colaborou Mônica Scaramuzzo

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