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ONS nega que consumo elevado de energia tenha provocado apagão

Wellingotn Bahnemann, da Agência Estado - Texto atualizado às 7h35

04 Fevereiro 2014 | 19h 50

Presidente do órgão também descartou falha de equipamento ou incêndio, mas espera reunião para descobrir causa do problema

BRASÍLIA - O presidente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, negou que o consumo elevado de energia e o baixo nível dos reservatórios no País tenham provocado o apagão desta terça-feira, 4. Segundo ele, o órgão ainda não sabe as causas reais do problema, apenas que dois defeitos causaram a queda do sistema e motivaram um terceiro defeito. A falha afetou parte das regiões Sudeste, Sul, Centro-Oeste, além do Tocantins, no Norte. Mais cedo, o ONS informou que o apagão ocorreu por causa de um problema entre a linha de transmissão entre Colinas (TO) e Serra da Mesa (GO).

O ONS marcou para a próxima quinta-feira uma reunião para discutir o apagão. O encontro contará com representantes de empresas, do Ministério das Minas e Energia e da Aneel. De acordo com Chipp, não houve sobrecarga no sistema de transmissão.

De acordo com o ONS, o defeito ocorreu inicialmente em linhas de transmissão da Taesa e da Intesa (empresa formada pelo FIP Brasil Energia, Chesf e Eletronorte). O problema acabou afetando uma terceira linha de transmissão, da Eletronorte, que faz a interligação Norte-Sudeste.

"O sistema não foi projetado para suportar uma dupla contingência", afirmou. No momento da falha, as três linhas da interligação Norte-Sul estavam transportando 4,8 mil megawatts, quando o limite operacional é de 5,1 mil megawatts. "O sistema estava operando dentro dos limites de carregamento", disse.  

Chipp assegurou que a falha no sistema de transmissão não foi provocada por um incêndio, a exemplo do que ocorreu em outubro do ano passado. O executivo, no entanto, não descartou a possibilidade de que o defeito tenha ocorrido por conta de carga atmosférica, embora as causas ainda não sejam conhecidas. De acordo com o ONS, as falhas ocorreram em linhas de transmissão da Taesa, da Intensa (empresa formada pelo FIP Brasil Energia, Chesf e Eletronorte) e da Eletronorte.

"As causas só serão conhecidas após essa reunião", frisou Chipp, que descartou falhas de equipamento ou a possibilidade de um incêndio ter provocado falha nas linhas de transmissão, como em agosto do ano passado, quando queimadas provocaram o desligamento de duas linhas de transmissão.

Segundo o secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Marcio Zimmermann, o apagão afetou 8% da carga do Sistema Interligado Nacional. Ele também descartou qualquer correlação entre o aumento do consumo de energia motivado pelo calor e o apagão.

"São ocorrências que não têm a ver com estresse do sistema", disse. E completou: "Apesar de trabalharmos com nível de confiabilidade de mais de 99%, de qualquer forma eventos como esse ocorrem." O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, disse que o sistema corta pequenas cargas em certos lugares. "Isso evita o efeito dominó de apagar uma região inteira. É prematuro, mas aparentemente houve sucesso nessa operação."

Chuvas. A ONS não trabalha com previsão de chuvas nas principais bacias hidrográficas do País nos próximos dez dias. Apesar da forte estiagem, o executivo disse que o sistema tem condições de atender à demanda, inclusive nos momentos de pico de consumo, e lembrou que nunca deixou de chover no período úmido (que vai de novembro a abril de cada ano).

"O período úmido pode atrasar, mas nunca deixou de chover", afirmou Chipp, que evitou fazer previsões sobre quando as chuvas vão retornar em quantidade suficiente para recompor o nível dos reservatórios. Ele destacou que a Região Norte, especialmente a usina de Tucuruí, tem sido a grande fonte de fornecimento de energia para o resto do País, enviando diariamente em torno de 4,8 mil MW médios para atender à forte demanda por energia elétrica nas Regiões Nordeste e Sudeste.

Sistema desligado. De acordo com o ONS, "para evitar a propagação do evento", o órgão solicitou às distribuidoras locais o desligamento automático de cargas. A falha foi detectada às 14h03 e começou a ser normalizada às 14h41. As concessionárias seguiram um procedimento técnico predefinido de alívio de carga, coordenado pelo ONS, o que envolve o desligamento de subestações. O procedimento é chamado de Esquema Regional de Alívio de Carga - ERAC.

Concessionárias dos Estados de Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Tocantins confirmaram a falha.

Em outubro do ano passado, um incêndio em uma linha de transmissão do Piauí provocou um apagão em todos os Estado do Nordeste. Na ocasião, o ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, afirmou que o governo seria "implacável" na fiscalização do setor e que iria aperfeiçoar os mecanismos de prevenção e controle de acidentes.

Sem problema de abastecimento. Antes do ONS se pronunciar, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, defendeu que o setor de energia elétrica no Brasil teve aumento da sua capacidade e, por isso, apesar da chuva em nível abaixo do esperado e do maior consumo de energia no verão, há tranquilidade. "No passado, talvez o Brasil não suportasse passar um janeiro como este. Felizmente tivemos aumento de capacidade e, apesar de janeiro ruim, estamos tranquilos", disse.

"Em termos de afluência de reservatório tivemos um janeiro atípico, em que afluências foram muito abaixo da media de longo prazo", disse. Segundo Tolmasquim, é o pior janeiro em termos de afluência desde 1954. "Temos quantidade de usinas instaladas no País bastante grande e uma diversificação dessas usinas que permite que, mesmo tendo um janeiro ruim, não tenhamos nenhum problema em termos de abastecimento de energia elétrica", disse.

"Temos uma situação de um equilibro estrutural entre oferta e demanda." Tolmasquim disse que há tranquilidade porque o Brasil tem, além de hidrelétricas, as termelétricas, que estão sendo acionadas e "dando conta das necessidade". Ele defendeu, ainda, que não há "nada anormal" operá-las. "É esperado que elas operem durante certos períodos do ano", disse.

Ele citou, ainda, que em outros países as termelétricas são responsáveis por 80% da geração de energia elétrica, enquanto no Brasil o porcentual é de 20%. "Elas estão aí para isso, quando tem uma coisa ruim, você poder acioná-las", disse. Tolmasquim disse que a situação de afluência é ruim devido, além da chuva abaixo do esperado, ao calor, que aumenta o consumo de energia. "Felizmente investimentos foram feitos e não há riscos em termos de abastecimento de energia elétrica", reforçou.

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