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Para Febraban, greve de bancários é ‘fora de propósito’

Wladimir D'Andrade, da Agência Estado

26 Setembro 2011 | 19h 05

Sindicatos devem confirmar ainda hoje a paralisação por tempo indeterminado

Representante das instituições financeiras nas negociações salariais com os bancários, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) divulgou nota nesta segunda-feira, 26, em que classifica de "fora de propósito" a greve que os bancários devem realizar a partir da zero hora desta terça-feira. A entidade destaca sua última proposta, de reajuste de 8% - 0,56% de aumento real -, e afirma que ela contempla o oitavo ano consecutivo de correção de salário com aumento acima da inflação. O valor, no entanto, frustrou os bancários, que querem ao menos 12,8% de aumento total. Os sindicatos devem confirmar ainda hoje, em assembleias, a greve por tempo indeterminado.

As partes se reuniram na última sexta-feira para discutir uma nova proposta da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), feita por meio de seu braço sindical, a Fenaban, mas a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) rejeitou o reajuste de 8% oferecido. As instituições financeiras afirmam que o pedido de 12,8% é "inviável" e alegam que o acordo fechado em 2010 somado ao que foi proposto esse ano representa acréscimo de 25% nos pisos da categoria (tanto para caixa quanto para escriturário) e de 16% nos vencimentos. "Estamos falando de números muito significativos", disse o diretor de relações do trabalho da Febraban, Magnus Apostólico.

De acordo com ele, os sindicatos marcaram a greve precipitadamente em meio às negociações. "Na última sexta-feira pedimos a eles que marcassem outra reunião e eles resolveram ir para a greve. A negociação está completamente aberta", afirmou. Apostólico acredita que a paralisação foi premeditada. "Parece que o objetivo é greve, e não negociação. Nem contraproposta foi apresentada. Se eu me sento à mesa para negociar e do outro lado tem um paredão de tênis que tudo que eu mando ele diz não e também não propõe nada, não há como negociar", explicou.

De acordo com o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro, o aumento real de 0,56% é insuficiente. Ele disse que o lucro dos seis maiores bancos do País subiu, em média, nos últimos dois anos, cerca de 20%. "E os bônus dos executivos de bancos na maioria deles é 400 vezes maior que a participação nos lucros e resultados (PLR) básica de um bancário", protestou. Segundo Cordeiro, no ano passado a categoria conseguiu 3,08% de aumento real, valor bem superior ao oferecido até agora para 2011. "Foram cinco rodadas de negociação e os bancos não avançaram em nada sua proposta", disse. "A Contraf orienta a todos os sindicatos a decretar greve por tempo indeterminado a partir da meia-noite de hoje. E acredito que isso deva ocorrer."