Roosevelt Cassio/Reuters
Roosevelt Cassio/Reuters

Para Volkswagen, situação política tensa ainda afeta negócios no Brasil

Montadora alemã demonstra otimismo com recuperação econômica, mas pondera sobre incertezas regionais

Célia Froufe, O Estado de S.Paulo

27 Outubro 2017 | 10h21

LONDRES - A montadora alemã Volkswagen indicou nesta sexta-feira, 27, que está mais otimista em relação à atuação de sua filial brasileira devido às melhoras que começam a surgir na economia, mas pontuou que as incertezas em relação à política ainda afetam negativamente seus negócios no País. 

"O Brasil deixou o movimento de baixa econômica, mas a situação na maior economia da América do Sul permaneceu tensa", avaliou a companhia dentro do balanço financeiro referente ao terceiro trimestre do ano.

De acordo com a montadora, pela primeira vez após quatro anos de declínio nos novos licenciamentos de veículos, houve um "crescimento notável" na atuação do Brasil de julho a setembro. 

"A produção automotiva brasileira se beneficiou, em particular, de uma expansão das exportações para a Argentina, onde a demanda por automóveis de passageiros e veículos comerciais leves aumentou acentuadamente em relação ao ano anterior", considerou a companhia, que acrescenta que esse movimento foi impulsionado, principalmente, por reduções de preços e modelos de financiamento atraentes concedidos pelos fabricantes.

A Volkswagen comentou também que, no terceiro trimestre de 2017, o crédito ao consumidor e as vendas de consórcio caíram abaixo do nível do ano anterior, apesar do crescimento no mercado de automóveis de passageiros como um todo.

"O negócio de serviços financeiros automotivos no Brasil continua fortemente afetado pelas tensões políticas e pelo ambiente macroeconômico tenso", considerou.

Comparando diferentes mercados em que atua, a alemã salientou que a tendência de crescimento vista desde 2016 continuou na China e na Europa Ocidental, mas que, em contrapartida, o negócio de caminhões e ônibus e o mercado de serviços financeiros relacionados ao setor no Brasil continuaram sob pressão em meio à "situação econômica conturbada". 

"O volume de licenciamentos na América do Sul aumentou ligeiramente em 2016. No Brasil, o maior mercado da região, a demanda por caminhões diminuiu significativamente no período anterior a este ano devido às contínuas tensões políticas, em um ambiente marcado por sinais de recuperação na economia", reforçou.

A participação do grupo no mercado na América do Sul foi de 11,8% no terceiro trimestre do ano, com um início de recuperação vista no mercado brasileiro. No País, a Volkswagen entregou 14,2% mais veículos para clientes do que no ano anterior, devido a uma elevação da demanda no terceiro trimestre. Os modelos Gol, Saveiro e Amarok foram os que tiveram o maior crescimento, de acordo com a companhia.

A empresa também salientou que em setembro passado, um tribunal de primeira instância brasileiro decidiu contra a Volkswagen do Brasil em uma ação coletiva relacionada ao produto em relação à questão do diesel. A decisão não é final e a companhia recorrerá.

Europa. No documento a empresa admite que os problemas ainda relacionados à fraude do software que mede as emissões de gases em alguns de seus veículos, que geraram aumento de custos, impactaram com forte queda em seus ganhos globais de julho a setembro. 

No período, o lucro líquido da montadora ficou em 1,06 bilhão de euros, menos de metade do ganho de 2,28 bilhões apurados em iguais meses do ano passado. 

Por outro lado, a receita da Volkswagen cresceu 5,8% na mesma comparação, para 55 bilhões de euros, enquanto o lucro operacional antes de itens extraordinários avançou 15%, para 4,32 bilhões de euros.

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