Werther Santana/Estadão
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Paralisação da JBS no MS trava mercado de bois

Decisão de parar operações em frigoríficos foi tomada depois de bloqueio de recursos da enpresa que somam R$ 620 milhões

Mônica Scaramuzzo e Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

19 Outubro 2017 | 01h34

O mercado de comercialização de bois travou nesta quarta-feira, 18, no Mato Grosso do Sul, após a JBS, dos irmãos Batista, ter anunciado a paralisação de sete frigoríficos no Estado. A decisão foi tomada depois de bloqueio de recursos, que somam R$ 730 milhões, dos quais R$ 620 milhões da JBS, e o restante da holding J&F.

O bloqueio foi feito pela Justiça do Estado. Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) foi aberta em julho para apurar irregularidades, após as delações dos irmãos Joesley e Wesley Batista, virem à tona. O presidente da CPI, o deputado Paulo Corrêa, disse que a Assembleia Legislativa do Estado está disposta a discutir o desbloqueio dos recursos desde que a JBS apresente garantias reais.

Com o segundo maior rebanho do País, o Estado abate 7 mil cabeças de gado por dia. “O mercado travou e pode piorar na próxima semana”, disse Francisco Maia, presidente da Federação Nacional da Pecuária. Segundo ele, a decisão de bloquear os bens é irresponsável e pode comprometer a pecuária. “O grupo já se comprometeu com o acordo de leniência (de R$ 10,3 bilhões) com o Ministério Público Federal. Parte da propina do grupo foi paga a parlamentares do Estado.”

Trabalhadores e sindicatos prometem para hoje novos protestos contra a CPI. As ações da JBS caíram 1,45%, a R$ 8,15. Em nota, a JBS informou que, em função da insegurança jurídica instalada no Estado, suas sete unidades estão com as atividades de compra e abate paralisadas por tempo indeterminado.

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul, Mauricio Saito, solicitou ao governo a redução de 12% para 7% da alíquota do ICMS para comercialização de gado vivo a outros Estados.

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