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Pela primeira vez, risco Brasil é menor que risco EUA, diz Mantega

Leonencio Nossa, Renata Veríssimo e Patricia Lara, da Agência Estado

15 Junho 2011 | 12h 13

Custo de proteção para eventual descumprimento pelo País de suas obrigações de dívida no curto prazo ficou abaixo do dos EUA

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou nesta quarta-feira, 15, que pela primeira vez na história o risco Brasil é menor que o risco dos EUA. Em entrevista no Palácio do Planalto, Mantega disse que a notícia mostra "a solidez da economia brasileira e a confiança que temos do mercado".

O ministro explicou que o risco Brasil, medido pelo swap de default de crédito (CDS, na sigla em inglês) é uma classificação que se faz de títulos soberanos no mercado externo. "Quem tem medo nessa área em não cumprimento de pagamentos, faz um seguro", explicou. Mantega disse que o governo está "muito feliz" com essa classificação sobre o custo para garantir proteção contra eventual calote da dívida brasileira.

Segundo Mantega, a presidente Dilma Rousseff ficou "muito satisfeita" com o fato de o Brasil ter um risco menor do que o dos EUA. "Isso mostra que estamos no caminho certo, que a política econômica está correta, o Brasil está se solidificando e temos respeito do restante do mundo", disse.

Queda do risco

No prazo de cinco anos, o custo de proteção da dívida do Brasil ainda é muito mais caro. O CDS estava ontem em 108 bps, ante 38 bps no caso do custo de proteção para a dívida de mesmo prazo dos EUA. "Há sim preocupações com a situação fiscal norte-americana", comentou Barros, salientando, contudo, que isso se deve a uma ansiedade do mercado em relação ao debate em torno do teto do endividamento dos EUA.

O presidente dos EUA, Barack Obama, e membros republicanos do Congresso norte-americano estão envolvidos numa disputa acalorada sobre o limite da dívida pública, com o Partido Republicano exigindo cortes profundos em troca de qualquer acordo para elevar o limite de gastos. O governo dos EUA está se aproximadamente perigosamente da data de 2 de agosto, quando deverá aumentar o limite da dívida para poder tomar emprestado o dinheiro que necessita para pagar suas contas. "Obviamente, isso vai ser resolvido até lá", ponderou o economista do Bradesco.

Mesmo assim, Barros observa que o risco Brasil tem melhorado. "A percepção de solvência do Brasil é cada vez mais confirmada pela política fiscal sadia", disse Barros, destacando que, considerando a correlação entre prêmio-risco e rating da dívida, o Brasil tem potencial de upgrade ou melhor precificação de seus títulos. "É plausível supor que dentro de um horizonte de seis meses o País deva receber algum upgrade de alguma agência", completou Barros.

(Texto atualizado às 15h13)