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Poltrona que vira cama é nova arma das aéreas para aumentar lucros

The New York Times

24 Junho 2014 | 09h 46

Estratégia foi adotada por várias companhias americanas e até pela JetBlue, conhecida pela sua estratégia de voos de baixo custo

NYT
Poltrona totalmente reclinável da Jetblue na rota NY-Los Angeles
 

LOS ANGELES - Para viajantes endinheirados que voam entre Nova York e Los Angeles, as companhias aéreas já oferecem Wi-Fi a bordo, bancos de couro espaçosos, refeição de alta classe e toalhas quentes. Mas eles querem mais.

A novidade para os mais exigentes aparece agora nos anúncios: camas confortáveis para um bom sono enquanto o avião atravessa o país. As novas poltronas se desdobram em uma cama plana.

Ao inaugurar o serviço de poltrona que vira cama na semana passada, a JetBlue disse que está fazendo um esforço para humanizar o atendimento. A empresa oferece 16 assentos chamados 'lie-flat' - quatro dos quais são fechadas como uma suíte privada.

A partir de outubro, o serviço será oferecido também na rota para San Francisco.

A Delta anunciou na semana passada que todos os seus oito voos diretos diários entre Nova York e Los Angeles estão sendo equipados com camas para os seus mais exigentes viajantes. American, United e Virgin America já vem há tempos atuando de forma agressiva no mercado com expansão de oferta de poltronas totalmente reclináveis.

Para a JetBlue, a mudança para a primeira classe é marcante na sua estratégia, e de certa forma para a própria cultura da empresa. Desde que iniciou o serviço em 2000, a JetBlue se destaca tanto pelo que oferece - TV via satélite e rádio em todos os bancos, bancos de couro com mais espaço para as pernas do que qualquer outra companhia e batatinhas chips - como pelo que não oferece - primeira classe ou classe executiva.

Mas nos últimos anos as suas margens de lucro começaram a encolher, por causa dos custos de combustível, e assim como outras companhias aéreas a empresa também voltou sua atenção para os passageiros da frente. Ela passou a perseguir os passageiros do chamado "high-end".

"New York e Los Angeles são os mercados mais ricos, e há muitas pessoas dispostas a pagar por isso", disse Robert Mann, analista do setor aéreo."As companhias aéreas não podem pagar para deixar esse tipo de dinheiro em cima da mesa para os outros roubarem", explica.

David Barger, presidente da JetBlue, concorda dizendo que com uma economia melhorada, ele temia perder clientes fiéis que esperam mais conforto em um voo costa a costa."Isso nos forçou a entrar no jogo", disse Barger.

"Na primeira classe ou na classe empresarial, não há porque não pagar US$ 3 mil por uma poltrona totalmente reclinável", explica. Os preços convencionais começam em US$ 599, muito abaixo dos US$ 1,5 mil ou mais cobrados por grandes operadoras nas passagens só de ida em primeira classe entre Nova York e Los Angeles.

No início do próximo ano, a JetBlue deve ter 11 do novo Airbus com 276 assentos premium. Henry Harteveldt, analista do setor de turismo, diz que cada novo assento poderia custar até US$ 50 mil."Este é o exemplo mais claro de que a Jet Blue atual é muito diferente da companhia aérea que começou há quase 15 anos com a estratégia de baixo custo", disse Harteveldt. "É uma jogada inteligente".