Produção e vendas de veículos no Brasil têm pior julho desde 2006, diz Anfavea

Segundo Anfavea, queda tem sido causada por fraquezas no mercado interno e nas exportações

Economia & Negócios - Texto atualizado às 16h20

06 Agosto 2014 | 12h11

A indústria de veículos do Brasil teve em julho seu pior resultado de produção e vendas para o mês desde 2006, segundo dados divulgados nesta quarta-feira, 6, pela associação que representa o setor, Anfavea.

A produção das montadoras no mês passado somou 252,6 mil carros, comerciais leves, caminhões e ônibus, queda de 20,5% sobre julho de 2013. Ante o mês anterior, houve alta de 17%. No acumulado do ano, a indústria se retraiu 17,4%, com 1,82 milhão de unidades produzidas. 

Em julho de 2006, foram produzidos 221,7 mil veículos.          

A queda tem sido causada por fraquezas no mercado interno, atingido por reticência dos bancos na concessão dos crédito, e das exportações, que em julho caíram 36,7% sobre um ano antes, para 34,2 mil veículos, segundo a entidade.

O cenário tem feito uma série de montadoras a ajustar produção por meio de concessão de férias, suspensão de contratos de trabalho e redução de jornadas em fábricas e obrigou o governo federal a adiar para o fim do ano aumento de carga tributária que deveria ter ocorrido no final de junho.

Segundo a Anfavea, o nível de emprego nas montadoras fechou julho em 150.295 postos ocupados, queda de 4,2% sobre um ano antes.

Por segmento, a produção de carros e comerciais leves caiu 19,9% em julho em relação ao mesmo período do ano passado. Já o volume produzido de caminhões recuou 30,5%, enquanto ônibus tiveram queda de 22,9%.

As vendas de veículos novos no mercado interno no mês passado subiram 11,8% na comparação com junho, diante de um período maior de comercialização, mas tombaram 13,9% sobre julho de 2013, para 294,8 mil unidades, segundo a Anfavea. No acumulado do ano, o setor acumula vendas de 1,96 milhão de veículos, queda anual de 8,6 por cento.

Em julho, a Anfavea reduziu suas projeções de desempenho da indústria este ano, prevendo queda de 10% na produção e recuo de 5,4% nas vendas no mercado interno. A projeção para as exportações é de queda de 29%. Na ocasião, os estoques de veículos novos à espera de comprador eram de cerca de 400 mil unidades, suficiente para mais de 40 dias de vendas.

Com produção caindo mais do que as vendas, o estoque de veículos nas fábricas e nas concessionárias caiu de 395,5 mil para 382,6 mil unidades de junho para julho.

BC e Argentina. O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, diz que as medidas adotadas recentemente pelo Bando Central para reduzir o compulsório bancário, que injetarão quase R$ 45 bilhões na economia, devem ter um impacto positivo no setor automobilístico.

"As medidas foram uma surpresa positiva, a economia brasileira precisava desta liquidez. Mas nós entendemos que a rede bancária precisa de uma análise apurada para decidir onde aplicar", comentou Moan. Segundo ele, os primeiros efeitos positivos das medidas devem ser sentidos já no final deste mês e início de setembro.

Moan também comentou que a questão do novo calote da Argentina não deve ter um grande impacto no setor automotivo brasileiro, "apesar de o país ser o destino de quase 75% das nossas exportações". Segundo ele, os governos dos dois países estão trabalhando na expansão do comércio e o acordo bilateral fechado em junho prevê um aumento de integração produtiva. Com isso, os vizinhos poderão negociar, em conjunto, a abertura de novos mercados externos.
 
"Estamos trabalhando fortemente em uma maior integração na América do Sul, e num segundo momento vamos trabalhar o mercado africano", comentou o executivo, lembrando que o Mercosul ainda negocia um acordo comercial com a União Europeia.

  (Com informações da Reuters)
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