Nacho Doce/Reuters
Nacho Doce/Reuters

Governo quer representante da Embraer em conselho de empresa a ser formada com Boeing

Governo brasileiro também exige que sua participação seja em torno de 20% na nova empresa, e não de 10% como proposto pela americana

Tânia Monteiro, Reuters

12 Abril 2018 | 17h13

BRASÍLIA- O governo brasileiro insistirá na proposta de que a Embraer participe das decisões estratégicas da joint venture que está sendo negociada com a Boeing, a maior fabricante de aeronaves do mundo. Para isso, propõe que a brasileira tenha ao menos um representante no conselho de administração da nova companhia e que sua participação seja em torno de 20% e não os 10% da proposta colocada na mesa pela americana.

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Detentor de uma golden share (ação que dá direito a veto em importantes decisões) na Embraer desde a privatização, em 1994, o governo federal tenta buscar um consenso antes de a proposta ser encaminhada pelas empresas ao presidente Michel Temer.

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No início da semana que vem, uma nova reunião de trabalho com equipes dos Ministérios da Defesa e da Fazenda será realizada para discutir a oferta apresentada pela Boeing. O grupo é composto também por representantes do Comando da Aeronáutica e do BNDES. O banco detém, por meio de sua empresa de participações, a BNDESPar, 5,4% do capital da Embraer.

Nesta quinta-feira, em resposta a um questionamento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Embraer respondeu, remetendo a um fato relevante publicado em dezembro do ano passado, que "a Embraer e a Boeing Co. têm mantido entendimentos, inclusive por meio do grupo de trabalho do qual o Governo Brasileiro participa, com vistas a avaliar possibilidades para potencial combinação de negócios".

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Informa, ainda, que esses negócios "poderão eventualmente incluir a criação de outras sociedades com participação conjunta na área de aviação comercial, deixando por outro lado separadas as demais atividades notadamente aquelas vinculadas à área de defesa e, possivelmente, também a área de aviação executiva, que permaneceriam exclusivamente com a Embraer".

O interesse da Boeing é reforçar, com a aquisição, sua atuação na aviação comercial de médio porte, segmento no qual a Embraer figura entre as três maiores fabricantes mundiais. O acordo, que envolve, por exemplo, a fabricação de aviões de 150 lugares, está em negociação desde o ano passado, quando a Airbus surpreendeu o mercado global ao anunciar a compra de 50,1% do programa de jatos comerciais da Bombardier.

Depois de concretizado o negócio com a Boeing, a marca Embraer usada nos jatos comerciais deixaria de existir, permanecendo apenas nas aeronaves produzidas pela Embraer Defesa, como o KC 390 e o Tucano. A proposta de associação prevê que Embraer Defesa detenha participação minoritária na receita da nova empresa, criada a partir da junção da Embraer com Boeing.

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O ministro da Defesa, Joaquim Silva e Luna evita falar sobre as negociações. Ao ‘Estado’ limitou-se a dizer "estamos trabalhando nisso". Apesar de também não ter estipulado uma data para a conclusão do negócio ( "a tendência é que saia um acordo, mas não há prazo"), as informações no governo é de que as discussões "estão avançadas". As preocupações das Forças Armadas, segundo fontes do Planalto, estão sendo levadas em conta pela Boeing e as empresas estão chegando a um consenso.

O governo entende a pressa da Boeing e sabe que este é um "negócio de oportunidade". Há ainda a perspectiva de que o acordo facilite a entrada dos aviões militares, como o cargueiro KC 390 e o Tucano, no mercado europeu, onde a Boeing tem uma estratégia de marketing muito mais agressiva e maior penetração. Além disso, os aviões terão o custo barateado porque as compras de peças pela empresa norte-americana são feitas em escala maior. O governo sabe, também, que a Boeing está de olho na transferência de tecnologia e no conhecimento dos engenheiros especializados da Embraer.

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Na nota enviada à CVM, a Embraer reitera que "não há garantia de que a referida combinação de negócios venha a se concretizar ou quando poderá ocorrer". "Quando e se definida a estrutura para combinação de negócios, sua eventual implementação estará sujeita à aprovação não somente do governo brasileiro, mas também dos órgãos reguladores nacionais e internacionais e dos órgãos societários das duas companhias.

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