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Queda de 13,3% na produção de carros em 2014 faz montadoras demitirem 4,7 mil

Cleide Silva - O Estado de S. Paulo

05 Junho 2014 | 21h 10

Desempenho das empresas resulta da queda de 5,5% nas vendas em relação ao ano passado; com o possível aumento do IPI, em julho, fabricantes estimam que vendas de modelos 1.0 caiam 8%

Embora tenha apresentado pequena reação em maio, com alta de 1,9% em relação a abril, a produção de veículos caiu 13,3% no acumulado do ano, somando 1,351 milhão de unidades. Com essa desaceleração e estoques ainda altos, as fabricantes demitiram, só neste ano, 4,7 mil trabalhadores, dos quais 1,9 mil no mês passado. 

Nas últimas semanas, todas as grandes montadoras anunciaram medidas de corte de produção, como férias coletivas, suspensão temporária de contratos de trabalho (lay-off) e programas de demissão voluntária (PDV).

Divulgação
Setor vem cortando postos desde novembro; já eliminou 7,3 mil vagas

O fraco desempenho da produção é resultado da queda de 5,5% nas vendas neste ano em comparação a 2013, para 1,399 milhão de veículos, e de 31,6% nas exportações, para 145,7 mil unidades.

O setor conta com uma recuperação nas vendas externas, em razão do acordo automotivo que será assinado com a Argentina na próxima semana, mas não vê melhoras no mercado interno.

Ao contrário, se as alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) subirem integralmente em julho, o impacto previsto é de queda de 8% nas vendas de modelos 1.0, segundo cálculos da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

O presidente da Anfavea, Luiz Moan, disse que, para cada ponto de IPI elevado, há alta de 1,9% no preço. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, sinalizou na quarta-feira que a recomposição do IPI prevista para o próximo mês pode não ser total. Moan, contudo, trabalha com a perspectiva de volta integral das taxas, conforme estabelecido no início do ano. Se as taxas voltarem aos níveis de 2012, antes da redução do IPI, o imposto dos carros 1.0 subirá de 3% para 7%, por exemplo.

Para o presidente da Fiat do Brasil, Cledorvino Belini, o governo deveria reduzir e não elevar o IPI, ainda que parcialmente. Segundo ele, o setor tem a maior carga tributária do mundo. “Para avançarmos, temos de revisar a carga tributária.”

Fábricas e revendas encerraram maio com quase 400 mil veículos em estoque, o equivalente a 41 dias de vendas, ante 40 dias em abril

Moan também não conta mais com um plano de incentivo ao financiamento de carros, tema que vinha sendo analisado pelo Ministério da Fazenda há várias semanas. Não houve acerto com os bancos. 

Estoques. Fábricas e revendas encerraram maio com quase 400 mil veículos em estoque, o equivalente a 41 dias de vendas, ante 40 dias em abril. Ainda que o “viés do mercado seja de baixa”, conforme definiu Moan, ele vai aguardar até julho para revisar as previsões para o ano.

Por enquanto, estão mantidas as projeções feitas em janeiro de crescimento de 1,4% na produção (para 3,76 milhões de veículos), de 1,1% nas vendas (3,81 milhões) e de 1,6% nas exportações (575 mil). 

Moan afirmou ainda que as demissões no setor basicamente foram por PDVs, “a maioria buscando pessoal aposentado ou em fase de se aposentar”. O setor vem cortando postos há sete meses seguidos. Desde novembro, eliminou 7,3 mil vagas.

Atualmente, estão com programas de demissão voluntária a Mercedes-Benz, que quer fechar 2 mil postos em São Bernardo do Campo (SP) e a General Motors (para as fábricas de São Caetano do Sul e São José dos Campos), também em São Paulo). A Ford encerrou um programa na quarta-feira na filial de Taubaté, mas obteve poucas adesões. GM e Ford não divulgaram metas de dispensas./ COLABOROU RENATA VERÍSSIMO 

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