Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Rumo Logística pode adaptar Malha Paulista para atender à demanda da ferrovia Norte-Sul

Alterações foram incluídas pela empresa em seu projeto de antecipar a concessão da Malha Paulista por 30 anos com uma expectativa de investimento de cerca de R$ 5 bilhões

Clarice Couto, O Estado de S.Paulo

23 Outubro 2017 | 20h53

A Rumo Logística projeta fazer obras na Malha Paulista que, segundo a empresa, ajudariam a dar conta de toda a demanda de volume de carga estimada pelo governo para a ferrovia Norte-Sul. O cenário envolve a utilização da Malha Paulista, que vai do noroeste paulista ao Porto de Santos, para ligar a ponta da Norte-Sul no Sudeste ao terminal portuário.

As alterações foram incluídas pela Rumo em seu projeto de antecipar a concessão da Malha Paulista, que vence em 2028. A proposta é antecipar a concessão por 30 anos com a finalidade de investir cerca de R$ 5 bilhões – a companhia quer ainda garantir que haja tempo para amortizar os recursos aplicados. Uma das obras incluídas no projeto é a duplicação de aproximadamente 110 quilômetros da Malha Paulista a partir de Campinas no sentido de Araraquara, como forma de usar parte desse trecho para transportar cargas vindas da Norte-Sul.

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"A demanda (da Norte-Sul) começa com um par de trens por dia (que vão e voltam pela ferrovia), depois passa para três até chegar a cinco pares por dia até 2030", disse ao Estadão/Broadcast Guilherme Penin, diretor Regulatório Institucional da Rumo, empresa do Grupo Cosan. "Com esse novo conjunto de obras incluído, em tese vai dar para transportar todo o volume estimado pelo governo para a Norte-Sul." A licitação da Norte-Sul está prevista para ocorrer no ano que vem.

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Nesta segunda-feira, 23, a Rumo apresentou em São Paulo um balanço das atividades desde a fusão com a ALL, em 2015, e as razões pelas quais vem buscando antecipar a concessão da Malha Paulista, que vence em 2028. A ferrovia liga o Porto de Santos ao interior de São Paulo e também a Mato Grosso do Sul e Mato Grosso pela conexão com a Malha Norte, também administrada pela Rumo. 

A empresa diz haver uma necessidade de renovar a estrutura da ferrovia, datada do século XIX, para atender à crescente demanda do agronegócio.

Se aprovada a renovação da concessão da Malha Paulista para a Rumo, os cerca de R$ 5 bilhões em investimentos estimados pela companhia deverão ser empregados na renovação de 1.120 quilômetros de ferrovias, ampliação de 28 pátios, construção de outros seis, reativação de dois ramais, em Barretos e Panorama, no interior de São Paulo, entre outras obras. 

Com elas, a Rumo espera saltar da atual capacidade de movimentação, de 30 milhões de toneladas por ano, para 75 milhões de toneladas em 2023. "Nós acreditamos que essa será a demanda até 2023", reforçou Penin. 

Do volume transportado hoje, 60% são grãos (soja e milho). Outras cargas movimentadas pela ferrovia são farelo, açúcar, combustíveis fósseis, etanol e fertilizantes. Há planos também de aumentar o volume de adubos transportado, hoje pouco significativo, para até 5 milhões de toneladas no longo prazo, disse o executivo.

BNDES. Durante o evento na capital paulista, o presidente da Rumo Logística, Julio Fontana, disse esperar receber em breve do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) R$ 3,5 bilhões em empréstimos para financiar parte dos investimentos. Conforme sua assessoria, como o desembolso foi aprovado (enquadramento do pedido de financiamento pelo BNDES no ano passado), a expectativa é de que a liberação dos recursos ocorra no curto prazo. 

Sobre o interesse da Rumo em participar das concessões para operar as ferrovias Norte-Sul e da Ferrogrão, a empresa informou, também por meio de sua assessoria, analisar a possibilidade, mas que ainda há dúvidas em relação aos números de demanda apresentados pelo governo.

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