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Shanghai Electric fará proposta para assumir obras de R$ 3,3 bi da Eletrosul

Uma das maiores fabricantes de equipamentos de energia da Ásia, chinesa deverá apresentar oferta até o dia 10; sem recursos para tocar projetos, subsidiária da Eletrobrás busca desde o ano passado sócio para a construção de 2.169 km de linhas de transmissão

Renée Pereira, Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

03 Março 2017 | 05h00

A companhia chinesa Shanghai Electric deve apresentar até o dia 10 de março proposta para assumir um lote de concessões de linhas de transmissão de energia da Eletrosul, subsidiária do grupo Eletrobrás, informaram fontes ao ‘Estado’. O negócio envolve a construção no Rio Grande do Sul de 2.169 quilômetros (km) de linhas e 21 subestações, sendo 8 novas e 13 ampliações de instalações existentes. No total, as obras exigirão investimentos de R$ 3,3 bilhões e, quando concluídas, terão receita anual de R$ 336 milhões.

A Shanghai Electric é uma das maiores fabricantes de equipamentos de energia e indústrias em geral da China, com faturamento da ordem de US$ 12,3 bilhões. A chinesa está em negociação com a estatal brasileira desde o ano passado, quando a Eletrosul lançou uma chamada pública no mercado.

Sem capacidade financeira para tocar as obras, a subsidiária da Eletrobrás decidiu iniciar um processo para selecionar empresas interessadas em se tornar sócia do empreendimento, que tem papel estratégico na região. Além de escoar a energia produzida pelos parques eólicos do Rio Grande do Sul, o sistema de transmissão tem o objetivo de reforçar a região metropolitana da capital Porto Alegre.

Procurada, a Eletrosul afirmou apenas que as negociações avançam com a empresa chinesa. Fontes próximas à transação destacam que alguns pontos ainda estavam pendentes para o fechamento de um acordo. Um deles é se a Shanghai Electric assumiria 100% do consórcio ou apenas uma participação. Esse é um ponto considerado importante para a Shanghai tocar esse investimento.

Segundo pessoas familiarizadas com a operação, a Shanghai quer que a estatal mantenha participação no negócio. Mas uma das propostas seria a volta da Eletrosul como sócia apenas no fim da construção. Por outro lado, a estatal continuaria à frente das obras, mesmo com o repasse da concessão. Isso porque a empresa já tem todo o conhecimento em torno das licenças ambientais e do projeto de engenharia.

De acordo com fontes a par do assunto, a companhia chinesa considera o marco regulatório do setor de energia instável e não quer assumir sozinha 100% do risco. Com uma estatal mantendo participação no projeto, o grupo chinês teria um interlocutor com trânsito no governo federal.

Procurado pela reportagem, o advogado Gustavo Buffara Bueno, da Buffara Bueno Advogados, confirmou que seu escritório está intermediando as negociações entre a Shanghai e a Eletrosul, mas não deu mais detalhes. Nenhum porta-voz da Shanghai Electric retornou os pedidos de entrevista.

Se fechar um acordo, essa seria a estreia da Shanghai no Brasil, seguindo o mesmo caminho das conterrâneas State Grid e China Three Gorges (CTG).

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