1. Usuário
Assine o Estadão
assine
  • Comentar
  • A+ A-
  • Imprimir
  • E-mail

Sócios avaliam divisão da Usiminas

- Atualizado: 23 Março 2016 | 21h 49

Nippon poderia ficar com unidade de Ipatinga e Ternium, com a de Cubatão

Cisão da siderúrgica mineira já foi estudada em 2014, mas, à época, sócios temiam perda de competitividade
Cisão da siderúrgica mineira já foi estudada em 2014, mas, à época, sócios temiam perda de competitividade
SÃO PAULO - A falta de entendimento entre os controladores da Usiminas, Ternium/Techint e Nippon Steel, colocou a cisão da siderúrgica mineira de volta à mesa de negociação, sendo apontada agora como única solução para o imbróglio societário que já se arrasta há cerca de dois anos. As empresas, conforme fontes próximas à siderúrgica, estariam focadas em viabilizar essa alternativa. Se essa intenção sair do papel, a unidade de Ipatinga ficaria com o grupo japonês e Cubatão, nas mãos do grupo ítalo-argentino.

Uma fonte próxima à Usiminas disse que essa saída, que já foi estudada entre as partes no início de 2014, se desenha como a única opção ao litígio. Na época, um dos problemas apontados era que a Usiminas perderia competitividade, pois teria sua escala reduzida. Hoje, no entanto, a situação é outra, visto que a atividade primária em Cubatão está paralisada desde janeiro e a laminação por lá ocorre na medida em que há demanda. 

O presidente do grupo Techint, Paolo Rocca, enviou carta ao governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, há cerca de duas semanas, em que admite que é necessário avaliar todas as alternativas possíveis, incluindo “possivelmente a venda das suas participações ou a separação de ativos e unidades de produção.”

A alta cúpula dos dois grupos já teria discutido o assunto. Em fevereiro, afirmam fontes, os presidentes do grupo ítalo-argentino e da japonesa Nippon, Kosei Shindo, chegaram a tratar dessa alternativa. Essa solução, disse uma fonte, não é de curto prazo, já que a separação demandaria a contratação de avaliações, por exemplo.

Entre as alternativas para essa divisão da Usiminas, disse uma fonte, está a Nippon comprar as ações da siderúrgica detidas pela Ternium, inicialmente. O segundo movimento se daria com a Usiminas vendendo a unidade de Cubatão à Ternium. Essa divisão ficaria livre de dívidas, o que contribuiria para a capitalização da siderúrgica mineira. Em uma cisão, a Usiminas teria de ser dividida em duas para depois haver uma troca de ações, processo que seria mais difícil e poderia demandar mais tempo.

A unidade de Ipatinga (MG) tem tecnologia da companhia japonesa embarcada e foco no setor automotivo, ao passo que Cubatão, que produz placas e possui canal de distribuição, seria de maior interesse para a Ternium. Com esse centro de distribuição, a Ternium teria fácil conexão com suas unidades na Argentina e no México, por exemplo, e poderia buscar sinergias com a Tenaris Confab, que pertence ao grupo, e fica em Pindamonhangaba, em São Paulo.

A cisão, se confirmada, colocaria um ponto final do litígio entre os sócios, que até aqui não tem sinais de solução. Além de ações da Justiça e representações na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a crise da Usiminas chegou a envolver o governo de Minas Gerais, que interveio no momento em que se tornou pública a falta de caixa da empresa e o risco de recuperação judicial.

Aporte. Mais recentemente, Ternium e Nippon Steel não chegaram a um consenso em relação ao tamanho do aumento de capital da companhia, com a primeira defendendo um aporte de cerca de R$ 560 milhões e a segunda, de R$ 1 bilhão, sendo esta última proposta a que foi aprovada por maioria em reunião do conselho. Procuradas, Usiminas, Ternium e Nippon Steel não comentaram. 

Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Estadão.
É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Estadão poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Você pode digitar 600 caracteres.

Mais em EconomiaX