GABRIELLA DEMCZUK | NYT
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Trump prepara ofensiva exclusiva para a China

Presidente e alta cúpula acusam gigante asiático por roubo de propriedade intelectual; sanções podem chegar a US$ 30 bi por ano

Ana Swanson, THE NEW YORK TIMES

17 Março 2018 | 05h00

Poucos dias após a decisão de elevar as tarifas do aço e do alumínio, a Casa Branca prepara outra medida que pode abalar o comércio global, dessa vez, mirando diretamente a China. Trump e a alta cúpula de seu governo preparam um pacote de ações que visa punir o gigante asiático por roubo de propriedade intelectual, em sanções que podem chegar a US$ 30 bilhões anuais, confirmaram fontes. As ações incluem restrições de investimento no país, entraves para a emissão de vistos para pesquisadores chineses e confrontos diretos na OMC sobre práticas comerciais chinesas.

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O ritmo acelerado das medidas de comércio da Casa Branca não é acidente. Em uma reunião na semana passada, Robert Lighthizer, representante de Comércio dos Estados Unidos, apresentou a Trump um plano para atingir US$ 30 bilhões por ano em importações chinesas. Segundo ele, esse montante seria igual aos prejuízos que políticas chinesas destinadas a adquirir tecnologia americana impõem às empresas anualmente.

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Em agosto, o representante de comércio dos EUA iniciou oficialmente uma investigação sobre essas práticas, que incluem guerra digital, exigência de que as empresas entreguem segredos comerciais e formação de parecerias com chineses para obtenção de acesso a certos mercados.

Em 2015, a China estabeleceu um plano chamado “Made In China 2025”, que tinha como objetivo desenvolver a indústria nacional em setores estratégicos, como tecnologia da informação, veículos híbridos e equipamento aeroespacial. E é justamente esse programa que a alta administração americana quer atingir. Ao contrário da medida de aço e alumínio, que dividiu os conselheiros do presidente e do próprio Partido Republicano, a ideia de atingir o gigante asiático tem amplo apoio.

Até Gary D. Cohn, principal assessor econômico e que renunciou após a sobretaxa ao aço e ao alumínio, aprovou as ações, revelaram fontes. Orrin G. Hatch, presidente do Comitê de Finanças do Senado, e o senador Marco Rubio, da Flórida, são outros exemplos de republicanos que criticaram as tarifas, mas que também apoiaram uma abordagem mais dura em relação à China.

O Congresso também está avaliando uma legislação que reforçaria o controle nacional de segurança no investimento chinês. Em uma audiência na quinta-feira, Heath P. Tarbert, secretário assistente do Departamento do Tesouro, disse que o sistema atual para monitorar o investimento possui brechas, permitindo que empresas chinesas evitassem a regulamentação. A preocupação com as práticas de investimento da China vem aumentando desde o fim do governo Obama.

Vigilância. No ano passado, uma unidade centrada na tecnologia no Departamento de Defesa emitiu um relatório argumentando que o aumento do investimento chinês no Vale do Silício estava dando à China acesso sem precedentes às tecnologias militares do futuro e aumentando a propriedade do país das cadeias de suprimentos que atendem os militares dos EUA.

Nos últimos meses, o aparelho político da China tem exercido um controle ainda maior sobre a economia. Líderes empresariais e políticos de ambas as partes dizem agora que a estratégia passada de Washington de oferecer incentivos econômicos para Pequim desenvolver um mercado mais livre falhou.

Funcionários da administração dizem que o fracasso das estratégias passadas em controlar a China demandam uma abordagem muito mais dura a partir de agora.

O presidente Donald Trump deu um passo em direção a isso em sua estratégia de segurança nacional, que identificou a China como um agressor econômico. Quando um importante enviado econômico chinês visitou no final de fevereiro, a administração pediu que a China tenha US $ 100 bilhões em seu superávit comercial de US $ 375,2 bilhões com os Estados Unidos, disseram duas pessoas próximas às negociações. / TRADUÇÃO GABRIEL ROCA

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