José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

Vale lucra 4 vezes mais e vai ao Novo Mercado neste ano

Mineradora teve ganhosde R$ 7,1 bilhões noterceiro trimestre e vai migrar suas ações na B3 em 22 de dezembro

Fernanda Guimarães e Mariana Durão, Impresso

26 Outubro 2017 | 22h50

SÃO PAULO E RIO – Impulsionada por preços mais altos do minério de ferro, a Vale fechou o terceiro trimestre com lucro líquido de R$ 7,1 bilhões, quase quatro vezes superior ao registrado no mesmo intervalo de 2016. A receita operacional líquida cresceu 31%, para R$ 28,6 bilhões. A mineradora anunciou nesta quinta-feira, 26, que, a partir de 22 de dezembro suas ações estarão listadas no Novo Mercado, segmento de mais elevada prática de governança corporativa da B3 (antiga BM&F Bovespa).

++Privatização da Eletrobrás deve render R$ 15 bilhões à União

A expectativa é que, mantidas as atuais condições de mercado e os esforços na redução de custos, a Vale tenha um bom quarto trimestre, disse o presidente da mineradora, Fabio Schvartsman, em teleconferência com analistas. Ele lembrou que a conversão das ações preferenciais da companhia em ordinárias (com direito a voto) permitiu que a Vale migre para o Novo Mercado. O passo está previsto na reestruturação societária que a transformará em uma empresa sem controlador.

++Agenda positiva do governo começa com leilão do pré-sal

++Soceidade de Vale e BHP na Samarco pode estar perto do fim

Schvartsman reiterou que a Vale vai manter o pé no freio em relação a novos projetos e a pagamento de dividendos. Em 2018 o foco seguirá na redução do endividamento. De julho a setembro, a dívida líquida caiu 19%, para US$ 21,066 bilhões. A meta é encerrar o ano com dívida líquida entre US$ 15 bilhões e US$ 17 bilhões. A assinatura do financiamento do corredor logístico Nacala, em Moçambique, marcada para 22 de novembro, promete injetar US$ 2 bilhões no caixa e ajudar a atingir o objetivo.

Apesar do forte resultado, as ações da Vale fecharam com quedas de 2,62% (ON, na mínima) e 2,57% (PNA). Analistas apontaram cautela quanto ao preço futuro do carro-chefe da Vale. O UBS destaca que a cotação do minério, hoje próxima de US$ 60 a tonelada, pode sofrer os efeitos de uma menor atividade do setor de construção na China. A instituição projeta um preço próximo de US$ 55 no longo prazo.

O cenário de preços traçado pela Vale, porém, se mantém otimista, com preços acima de US$ 65 por tonelada em 2018. A companhia enxerga melhora na demanda e uma entrada menor de novos volumes de minério no mercado. A expectativa é que em 2018 sejam mais 50 milhões de toneladas, a maior parte da Vale.

Produção. Diante disso, a produção de minério de ferro da Vale deverá beirar os 390 milhões de toneladas em 2018, acima da estimativa para este ano, de cerca de 360 milhões de toneladas. O plano da mineradora é chegar aos 400 milhões de toneladas de minério em 2019.

No terceiro trimestre a Vale atingiu produção recorde de minério de ferro, de 95,1 milhões de toneladas, alta de 3,3% ante o mesmo período do ano passado. A estratégia da companhia é melhorar suas margens, misturando minérios mais ricos em ferro, produzidos em Carajás (PA), com os de menor qualidade, produzidos em seus sistemas Sul e Sudeste (MG).

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.